Fonte: o apostolado
O ano 2007 termina com a dissonância de dois eventos por acaso paradigmáticos do período.
Positivo em absoluto: a marcação indicativa das eleições legislativas para 5 a 6 de Setembro de 2008. O anúncio aliviou a expectativa democrática, cuja impaciência tendia para a saturação. O chefe de Estado brindou o país com a notícia na sua tradicional mensagem de ano, desta vez bastante antecipada, pois dirigida a 27 de Dezembro.
Dois dias depois, infelizmente, o jornalista Armando Chicoca, correspondente da Ecclesia e ´o apostolado´ no Namibe, é condenado a 30 dias de prisão correcional. E porquê? Por desobediência à autoridade, no concreto, , violação do cordão de segurança definido pela polícia para conter vendedores furiosos.
O incidente ocorreu na periferia do mercado 5 de Abril, onde os comerciantes, compensando a exiguidade do espaço no lugar certo, improvisam barracas não desejadas pelas autoridades.
Nesta peripécia , longe do desenlace judicial, a policia pontuou na primeira fase, ela que, ao longo do ano, somou tantas asneiras que levou o presidente a sintonizar com a sofrida população.
A derrapagem de muitos agentes da ordem pública na repressão na delinquência foi uma constância na actualidade do ano.
Zungueira (e mulher de colega) baleada, jovem gerente de ginásio morto por confusão com bandido procurado, interpelação letal de um candongueiro no Huambo, assassinato leviano de actores no Roque Santeiro... tantos homicídios que projectaram mal muita a gente da farda azul.
Interpelação da natureza
O ano dos “canteiros de obras”, parafraseando uma expressão que outra mensagem presidencial celebrizou, começou com uma quase misteriosa interpelação da natureza.
No trimestre inicial (Janeiro a Março), registaram-se chuvadas por todo o pais, culminando com o desastre jamais visto de Cacuaco.
Fez notícia na mesma altura a prisão da activista cívica, Sarah Weeks. A britânica foi detida em Cabinda, onde queria recolher elementos para a ONG “Global Witness”, reputada em produzir relatórios interessantes sobre certas facetas do país.
UNITA
Na bitola deste campo sensível das liberdades políticas e direitos humanos, fez manchete, pouco depois, o atentado que sofreu o presidente cessante da UNITA, Isaias Samakuva.
Disparos de armas de fogo falharam alvejá-lo durante uma actividade de campo no município de Camabatela, no Kwanza-Norte.
No meio do ano, entretanto, Samakuva irrompe no topo dos noticiários com a sua reeleição na liderança dos galos negros. Com um resultado nas urnas sem apelo, superou o rival, Abel Chivukuvu, que admitiu instantaneamente a derrota.
FNLA
No princípio do segundo semestre, a FNLA, outro dos três partidos históricos, perdeu a figura que a liderou durante mais de 40 anos, Holden Roberto.
Morreu de doença em casa a 84 anos de idade e foi inumado na terra natal, Mbanza-Kongo.
É substituído em Novembro por Ngola Kabangu, no termo de um congresso extraordinário realizado em Novembro.
Mas, a unidade com os adeptos de Lucas Ngonda persiste como questão, porquanto os mesmos optaram pela cadeira vazia no congresso e anunciaram imputar os seus resultados.
No segundo trimestre, a média estatal focalizou o estado de saúde muito debilitado do militante Alberto Benedito, achado na residência de Ngola Kabangu.
TAAG, Miala, Graça Campos ...
Nos meados do ano cessante, a TAAG dominou o noticiário com a suspensão dos seus voos no espaço aéreo da União Europeia.
Fez manchete, na época sucedânea, o julgamento dos antigos responsáveis dos serviços da inteligência externa, em que emerge a figura do general Fernando Miala.
A condenação do jornalista Graça Campos, director do “Semanário Angolense” trepa no “hit parade” no início do último trimestre.
Quase no mesmo tempo em que se detecta mais uma doença não identifica no município de Cacucao, afinal derivada do Brometo de Sódium infiltrado nas paragens!
Dos Santos-Sarkozy. OPEP, Clube de Paris ...
Além disso, em Setembro, uma cimeira angolano-francesa põe frente a frente José Eduardo Dos Santos e Nicolas Sarkozy, quebrando mais de uma década de gelo entre os seus países.
Dois meses depois, Angola entra na OPEP, com a presença de Dos Santos na cimeira da organização em Dubai, em apoteose.
Quase simultaneamente, Angola recebe a garantia de se reconciliar com os credores do Clube de Paris, ao qual apresentou o programa de liquidação dos juros de mora da sua dívida.
A Alemanha brinda-lhe com um crédito de um bilhão de USD, inscrevendo-se, com este valor, na casa de cifrões que só a China largara para o país africano no pós-guerra.
Com estes dados contrastados, finda 2007 e se entra no 2008.
Comentário: Feito o balanço, deste historial do ano 2007, obtemos: Julgamentos e prisões como destaques do Ano 2007.A novela segue no ano 2008.Ano de eleições.Condimentos não faltarão.
Isto é Angola...
Em Angola não acontece nada...
Angola recomenda-se.
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