Em Luanda tenho visto, pela primeira vez na minha vida, uma forma de propaganda política que pode ser considerada de sabotagem social.Imaginem que alguém pega nuns quantos camiões, a cair de maduro, e todos os dias, de manhã, anda com eles nas estradas de acesso à capital. Entretanto, de noite esse mesmo alguém pega em várias pessoas e levanta tampas de esgoto e abre ainda mais as crateras que minam as ruas luandinas (ou luandenses). O resultado é o caos matinal de tráfego descontrolado, e o disparar dos valores da pressão arterial e dos índices de stress de muitos condutores.
Estas são as justificações que muita gente encontra, neste lugar, para desculpar a rotina destruidora que se vive nesta cidade. Aliás, esse alguém que pratica os actos de sabotagem é, segundo esta gente, a Unita como forma de denegrir a imagem do Governo maioritário do MPLA.
Sim, nada tem a ver com a exoneração de quase todos os administradores dos municípios de Luanda, a começar pelo Job Capapinha (Governador da Província de Luanda) e a acabar no administrador do Kilamba Kiaxi (o tal bairro que tem uma lixeira de dois andares junto à estrada mais movimentada da zona).
Este é o actual quadro de pré-campanha eleitoral que se vive em Angola. Onde a Unita procura arrepiar caminho face ao poderio do MPLA. Tudo neste país serve como instrumento de propaganda e a troca de galhardetes entre os dois partidos, há poucos anos, era feita no campo de batalha.
Imaginem que as acusações entre políticos eram o silvo das AK-47 a tirar a vida a mais um jovem soldado. As manchetes contra o Governo, de jornais privados tendenciosos, e, porque não dizê-lo, mentirosos, eram a explosão de uma mina que provocava mais um mutilado. E as notícias dos órgãos estrangeiros, sobre falta de liberdade de expressão, encerramento dos escritórios da UNHCR (sem eles nunca terem existido), guerra em Cabinda e epidemias misteriosas não são mais do que a tentativa de dividir um país, como outrora conseguiram através da venda de armas e aluguer de mercenários.
Acreditem que este país sofre na pele o facto de ter petróleo como tem mar, ter diamantes como tem areia, ter recursos hídricos (lençóis freáticos e cursos de águas) como tem estradas (por muito que estejam muito degradas), e ter tanto de terra fértil com tem de céu.
Neste lugar nem tudo o que parece é, e muitas das vezes as histórias mais incríveis são a mais pura das verdades.
Bem-vindos a Angola, onde todos querem cá estar mas nenhum quer que os outros cá estejam. Um país onde a guerra e o caos estão à distância da morte de José Eduardo dos Santos, um facto que todos nós, a viver cá, sabemos ser a única verdade.
Comentário: A autoria deste artigo, pertence a alguém que encontra-se em Angola, a tentar sobreviver na selva angolana.Esta visão, para mim é muito importante, pois a mesma, é analisada sob o ponto de vista de alguém, que não viveu, não conheceu Angola, nem antes nem depois da independência.É uma visão "virgem", livre de influências.Para salvaguardar e proteger a autoria deste artigo, optei pelo anominato.Uma vez que o conteúdo do mesmo, insere-se na mesma linha de pensamento, até onde e como, as lutas partidárias actuam e funcionam em Angola.Onde até o impossível, é possível.
Relativamente ao artigo, na sua essência, não vou tecer "comentário".Tudo o que se possa dizer sobre ele, só iria tornar as histórias mais incríveis num bom "trunfo" partidário de todas as partes envolvidas.Até porque, para o poder instalado, eu sou considerada "MERCENÁRIA" (persona non grata).
Faltam cerca de cinco meses, para a data provável das primeiras ELEIÇÕES JUSTAS E DEMOCRÁTICAS e as armadilhas para as " makas da contra-informação" começam a ser lançadas.Em Angola, nem na própria sombra, devemos CONFIAR.



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