Sábado, 17 de Maio de 2008

Zimbabué/Armas: Marinha sul-africana desmente ter reabastecido navio com armas para Harare

Joanesburgo, 17 Mai (Lusa) - A marinha sul-africana desmente categoricamente ter reabastecido no alto mar ou em qualquer outro ponto o navio chinês que transportava armas para o governo do Zimbabué, afirmou hoje à agência Lusa um seu porta-voz.

O comandante Prince Tshabalala declarou que notícias vindas a lume sexta-feira e hoje na comunicação social regional e que davam conta do reabastecimento do Na Yue Jiang ao largo da costa sul-africana pelo SAS Drakensberg, um navio de apoio sul-africano, "são falsas e poderiam ter sido evitadas se nos tivessem consultado".

O jornal "Weekender", publicado na capital do Zimbabué, noticia hoje que as armas que foram transportadas da China a bordo do Na Yue Jiang já chegaram ao seu destino (o exército zimbabueano) com a ajuda das autoridades da República do Congo, que teriam autorizado o seu descarregamento em Pointe Noire, na província de Kouilou, e da África do Sul, que teria reabastecido o navio algures na vasta costa sul-africana.

Segundo o "Weekender", os 3 milhões de munições para espingardas automáticas AK-47, os 3 mil morteiros com auto-propulsão (RPG) e as 1.500 granadas de morteiro que estavam a bordo do navio acabariam por ser transportadas para o seu destino final a partir de Pointe Noire por um avião Ilyushin Il-76 pertencente à Avient Aviation, uma empresa de carga aérea baseada no Zimbabué mas registada no Reino Unido.

Segundo o jornal, a chegada do carregamento de armas e munições foi confirmada por funcionários governamentais em Harare.

Na véspera tinha sido a publicação on-line moçambicana "Canal de Moçambique" a noticiar em primeira mão que o Na Yue Jiang tinha sido reabastecido ao largo da África do Sul pelo navio da marinha SAS Drakensberg, para ser capaz de prosseguir viagem até Luanda, Lobito ou Pointe Noire depois de ter sido impedido de descarregar os 6 contentores de armas no porto de Durban.

O "Canal de Moçambique" afirmava que o vice-ministro da Defesa, Mluleki George, tinha recebido instruções directas do presidente Thabo Mbeki para ordenar o reabastecimento do navio chinês pelo SAS Drakensberg.

O porta-voz da marinha sul-africana contactado pela Lusa garantiu que o SAS Drakensberg não procedeu a qualquer operação de reabastecimento do Na Yue Jiang e que as Forças Armadas Sul-Africanas (SANDF) estão a preparar uma conferência de Imprensa na Cidade do Cabo para terça-feira, durante a qual a sua posição será "esclarecida por completo".

Dado o ambiente volátil que se vive no Zimbabué, existem fortes receios de que as armas fornecidas pela China ao regime poderão contribuir para uma repressão mais severa sobre a oposição e populações que votaram na oposição em 29 de Março.

Pela primeira vez desde 1980 o presidente Mugabe e a Zanu-PF foram derrotados respectivamente nas presidenciais e nas legislativas pela oposição.


Comentário:O pior inimigo das populações, é a contra-informação.São os diabos camuflados de anjos, a tentarem controlar e contornar a Verdade dos factos.Todos os envolvidos estão empenhados em baralhar as cartas e as regras do jogo (viciar), na interajuda aos amigos ditadores.Já tenho dito muitas vezes, e volto a repeti-lo, quando a contra-informação é usada, venha o diabo e escolha, entre todos os envolvidos, para averiguar qual deles, é, ou são os mais beneficiados e culpados.Ora, como estamos a lidar com o Continente africano versus China, é muito provável que as armas, não só tenham como destino o Zimbabué, mas como também alguns paióis abandonados e esquecidos pela Unita, com o fim da guerra em Angola, havendo necessidade de repôr armamento novo, substituindo o velho.Sim, porque não é só o Zimbabué que vai a eleições, Angola também está prestes.Três milhões de munições para espingardas automáticas AK-47, os 3 mil morteiros com auto-propulsão (RPG) e as 1.500 granadas de morteiro, é muito armamento.Das duas uma, ou estão a preparar com ajuda da China uma CHACINA no Zimbabué, ou estão aproveitar o balanço da polémica e da desconfiança já instalada, para com um tiro, matarem e servirem dois coelhos (Zimbabué e Angola).

Uma coisa é certa, este rendilhado entre amigos, cada vez cheira mais mal, e quando a boca do povo desenvolve um "boato", é porque " não há fumo, sem fogo".
Em Harare, também confirmaram o descarregamento, tal como já tinha acontecido em Angola, com a confirmação do descarregamento do mesmo navio, do material para a construção (armamento camuflado dentro de sacos de cimento?).

Não liguem estou a especular.A imaginação é fértil ...

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