terça-feira, 17 de março de 2009

PROFESSORES PORTUGUESES, UMA MAIS VALIA E NÃO CARÊNCIA DE NACIONAIS

Fonte: o apostolado

Sindicato dos professores do ensino superior contesta vinda de professores portugueses a Angola.

“ É uma mais valia mas não representa uma carência de docentes nacionais” – comenta o Presidente do Sindicato, Heitor Timóteo.

Segundo o docente, Angola tem quadros para suprir esta carência. O que acontece é que não existe salário e condições combatíveis para os angolanos.

“ Se o Governo colocar à disposição de que quem quiser entrar na universidade ou dar aulas para minimizar a insuficiência destes docentes, dando um salário digno, comparável ao dos magistrados e uma casa, tenho a certeza que muitos professores vão aparecer”- referiu.

Cerca de 20 docentes universitários portugueses estão já a caminho de Angola, para leccionar nas universidades públicas angolanas, ao abrigo dos acordos bilaterais entre os Governos de Angola e de Portugal.

O analista político e docente universitário, Justino Pinto de Andrade considera a contratação de professores portugueses como um dos ganhos mais significativos dos acordos entre os dois países.

“Eu acho que isso é muito importante para Angola, isto é ter a cooperação de professores vindos de várias origens, sobretudo vindos de Portugal, uma vez que sabemos que o domínio da língua portuguesa está muito difícil aqui em Angola” – sustentou.


Comentário: Estão-se todos aproveitar.

Como diz DogMurras, na sua canção,
"Bom emprego para os estrangeiros, portugueses, chineses, etc, e para o angolano hum hum hum "

O ensino em Portugal, está de rastos.Tudo por culpa das más políticas do governo/desgovernado dos Sócretinos.Os efeitos dessas más políticas estão à vista, com a criação de parcerias, cujo objectivo é exportar os excedentários para Angola, baixar os números na taxa de desemprego ao nível da UE, principalmente no sector do ensino.Tentar tapar o sol com a peneira.

Tudo vai depender da qualidade dos professores eleitos para irem para Angola.

Na volta, os eleitos são os amigos, dos amigos do grupo de Sócretinos, que vêm na ida para Angola uma oportunidade para subirem na vida e fazerem carreira.

Ver para crer, como em São Tomé.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Presidente da Guiné-Bissau assassinado por militares


Fonte: O Sol

O Presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira, foi assassinado num ataque à sua própria casa, informação já confirmada oficialmente. A morte do presidente estará ligada ao atentado desta noite que vitimou o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas



Atentado à bomba mata chefe do Estado-Maior das Forças Armadas O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Guiné-Bissau, o general Tagmé Na Waité, foi morto nesta madrugada num atentado contra o quartel-general do Exército em Bissau, anunciou o seu chefe de gabinete, o tenente-coronel Bwam Nhamtchio

Comentário:Simplesmente direi: Quem com ferros mata.Com ferros morrerá

Quanto ao que os sócretinos dizem por aí, é tudo mera hipocrísia de circunstâncias.Quem está dentro do «convento» é que sabe o que por lá se passa.Certamente, que não se mata alguém porque ele foi um «santo/inocente».

É menos um ditador.Sigam-se os outros.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A crise, uma oportunidade - I

Fonte:África21

A primeira coisa a fazer, face à crise, é combater e superar essa ilusão. Como dizem os brasileiros, é preciso “cair na real”. Impõe-se, por conseguinte, valorizar o trabalho e a produção

O mundo está em crise. O país (Angola), como não podia deixar de ser, também está em crise. Passado o optimismo balofo dos últimos meses do ano passado – alimentado pelos áulicos de costume e enterrado pelo presidente da República no seu discurso de fim de ano -, a crise, finalmente, virou manchete da própria comunicação social do Estado.

A situação tem de ser assumida por todos, dos governantes aos cidadãos comuns, passando pelos quadros, os empresários, os fazedores de opinião e outros. Para que isso aconteça, o exemplo tem de partir de cima. Se as elites continuarem a comportar-se como se nada estivesse a acontecer, a crise acabará por engolir-nos a todos, o que terá consequências imprevisíveis.

A economia, como se sabe, está longe de ser uma ciência exacta, possuindo uma inquestionável componente psicológica. Nesse sentido, é imperioso recordar que, desde os anos 80, com o advento do “capitalismo flexível”, criou-se a terrível ilusão de que todos poderiam ser ricos, muitas vezes da noite para o dia, adquirindo a economia uma forte feição especulativa, em detrimento da produção (daí a designação criada por Harvey para esse modelo: “economia de casino”).

A “farra do crédito” levou países, empresas e indivíduos a pensar que poderiam viver indefinidamente acima das suas possibilidades.

Os germes dessa ilusão chegaram a Angola logo após a abertura política e económica dos anos 90. Devido à guerra que paralizou o país, não se manifestaram de uma vez só, mas a verdade é que acabaram por se afirmar com toda a brutalidade e, por vezes, boçalidade, como o demonstram certas atitudes de alguns membros da emergente burguesia angolana. Esse exemplo contaminou toda a sociedade, transformando-se, hoje, num traço sociológico transversal (a erosão da cultura de trabalho e a inexistência da cultura de poupança são dois sintomas disso).

A primeira coisa a fazer, face à crise, é combater e superar essa ilusão. Como dizem os brasileiros, é preciso “cair na real”. Impõe-se, por conseguinte, valorizar o trabalho e a produção, combater a especulação, aumentar a responsabilização, a todos os níveis, reforçar a disciplina, controlar melhor os gastos e criar hábitos de poupança.

Em qualquer país, as autoridades têm de ser as primeiras a dar o exemplo. A avaliar pelas decisões da última reunião do Conselho de Ministros, parece que o governo angolano está disposto a fazê-lo.

Com efeito, o cancelamento da Cimeira Mundial de Diamantes, a reprimenda do presidente aos gastos do Can 2010 e, em especial, a aprovação de uma linha de crédito para financiar os pequenos e médios produtores agrícolas são exemplos de medidas realistas e positivas, para tentar minimizar os efeitos locais da crise. Chamou-me também a atenção a notícia de que o governo quer garantir que a produção de biocombustíveis não entre em competição directa com a produção alimentar nacional.

Entretanto, se eu critico o “optimismo balofo” que jurava (?) que a crise não atingiria Angola, também estou longe de partilhar o “pessimismo sistémico” de muitos, incapazes de ver as coisas em perspectiva. Assim, e embora não seja um especialista em assuntos económicos, acredito que a actual crise mundial pode ser uma oportunidade para o nosso país.

Desde logo, a crise pode ser a grande oportunidade de Angola para diversificar decididamente a economia, superando a sua actual dependência do petróleo. A aposta na agricultura e a re-industrialização do país (em especial a indústria ligeira e agro-alimentar) parecem-me medida urgentes, para permitir a produção interna de bens e mercadorias até agora importados, os quais poderão ser afectados pela recessão que começa a atingir os países desenvolvidos. Além disso, a criação de indústrias será um grande factor gerador de empregos.

De igual modo, não se deve esquecer a recomendação de todos os economistas de prosseguir as obras públicas estruturantes (estradas, pontes, ferrovias e outras), assim como a necessidade de adoptar medidas, nomeadamente salariais, mas também no domínio dos impostos e das taxas de juro, a fim de manter o consumo em níveis desejáveis para garantir a produção.

Enfim, é preciso preservar a confiança e o optimismo realista (ou “preocupado”, como gosto de dizer). Não é demais insistir que, na economia real, os aspectos psicológicos podem ser cruciais. Apenas para dar um exemplo externo, é por essa razão que Delfim Neto, considerado o “czar” da economia brasileira durante o regime militar e não só, afirmou recentemente que Lula “é o melhor economista brasileiro”, precisamente pela atitude que tem mantido diante da crise mundial.

Surpreendente? Não. Elementar, caros leitores.

Comentário:Surpreendemente, é o que ainda estará para vir.Quem é que, vai conseguir mudar a mentalidade de todos aqueles que enriqueceram (caso da família Dos Santos&CªLdª) do dia para a noite, sem terem que justificar um único kwanza, perante o povo angolano.Antes pelo contrário, o exemplo dessa família e de outras semelhantes, é de, ao invés de investirem na poupança, estão a aplicar em investimentos privados no estrangeiro.O povo pensa de acordo com a cabeça dessas famílias.Pensa, «se eles conseguiram e tudo lhes é permitido, eu (povo) também poderei e me é permitido».É impressionante como as cabeças politiqueiras da família dos Santos, de um momento para o outro, acordaram e se lembraram, que o povo angolano estava necessitado de lições de moral para travar o esbanjamento dos saques e desnorte acumulado durante anos de vícios.Quem vai travar o esbanjamento da família Dos Santos&CªLdª.Quem ?

Surpreendente?Não!

Simplesmente a pura realidade.Medo, da falta de capacidade e de inoperância das medidas para o combate ao esbanjamento por parte de quem governa.O travão ao esbanjamento tenha os seus efeitos negativos, precisamente na classe de quem governa e arraste o país para o caos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Rússia:Aviões russos desaparecidos em Angola "ressuscitam" em filme de Hollywood



José Milhazes, da Agência Lusa **

Moscovo, 12 Fev (Lusa) - Alguns dos aviões russos Antonov que desapareceram em Angola durante a guerra entre o MPLA e a UNITA foram utilizados na rodagem do filme O Senhor da Guerra, revela a revista russa Ekho, que sairá para as bancas sexta-feira.
O principal herói desse filme de Holywood é o traficante de armas soviético Iúri Orlov, interpretado pelo actor Nicolas Cage e que teve como modelo Victor But, russo que foi detido em 2008, na Tailândia, a pedido das autoridades norte-americanas.
Entre outros crimes, But, antigo militar russo que domina perfeitamente o português e trabalhou em Angola e Moçambique, é acusado de traficar armas.
"Quando estavam a ver esse filme, os nossos especialistas em aviação ficaram atónitos com uma descoberta inesperada. Segundo alguns sinais externos, um dos aviões que participou nas filmagens é um dos aparelhos Antonov 12 que desapareceram em Angola e são procurados internacionalmente", declarou à Ekho o piloto de testes russo Serguei Kudrichov, que dirige uma organização social que tenta descobrir o paradeiro de tripulações russas desaparecidas em Angola.
"Isto é uma nova pista", afirmou Kudrichov à Agência Lusa, acrescentando que "na natureza, não existem dois aviões iguais. São como as impressões digitais. Cada um tem as suas particularidades: cabinas, asas, fuselagem, aparelhos externos".
"A nossa organização falou com especialistas e pilotos que se recordam de todas as particularidades do avião que desapareceu em África. Claro que se trata de um reconhecimento visual, que não dispensa uma análise directa do aparelho", precisa o piloto russo.
Kudrichov disse à Lusa que a organização que dirige - "Pelo Regresso a Casa" - vai pedir esclarecimentos aos produtores de "O Senhor da Guerra".
Entre 1997 e 1998, nos céus de Angola desapareceram cinco aviões com 23 tripulantes, cidadãos da Bielorrússia, Rússia, Moldova e Ucrânia.
Em Janeiro de 1998, um Antonov 12 desapareceu depois de ter descolado do aeroporto angolano de N´zaje. Entre os passageiros estava o cidadão português António Horta.
Serguei Kudrichov e os familiares dos pilotos russos desaparecidos não têm dúvidas de que é preciso continuar a procurar os aviões, considerando que os aparelhos não se despenharam, mas são utilizados em negócios poucos transparentes em África.
"Num encontro com os familiares dos desaparecidos, o general Roberto Leal Ramos Monteiro `Ngongo`, então embaixador angolano na Rússia, reconheceu que os serviços secretos angolanos teriam interceptado uma comunicação de rádio do comandante Stadnik sobre o desvio da tripulação do Antonov-12 e sobre o seu trabalho na mira de metralhadoras", recorda Kudrichov.
"Recentemente, encontrámos dois aviões semelhantes aos que procuramos há já dez anos. O nosso perito, que se arriscou a aproximar-se deles, reconheceu-os como `nossos` por uma série de sinais", adiantou.
"Teve de se afastar rapidamente dos aparelhos devido à pressão da segurança", prossegue Kudrichov, e acrescenta, mostrando fotografias aéreas dos aparelhos: "isto confirma essa informação".
O piloto russo não revela o nome do aeródromo em que foram vistos os aparelhos russos por razões de segurança das tripulações, mas a agência Lusa apurou que se trata de um país vizinho de Angola.
"Acreditamos que as pessoas que procuramos podem estar nas mãos de uma `terceira força`, que actua em todo o Sul de África. Nessas regiões há minas de ouro, diamantes e platina e, frequentemente, são controladas por mercenários que garantem os interesses de homens de negócios estrangeiros", frisou.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

"Até para semear couves eu emigrava para Angola!"

Fonte: Jornal de Notícias

Portugueses partem em busca de trabalho e ordenados "chorudos". Os que já lá estão rejeitam a ideia de "Eldorado" e falam em trabalho árduo, mas compensador. E cada vez há mais quem queira partir


FERNANDO BASTO

"Eu nem que tenha que ir semear couves e batatas, prefiro ir para Angola do que ficar por cá. Sempre vou para um país mais quente. Além de ir ganhar o triplo, claro!". Ana Rodrigues já não acreditava que, com 49 anos de idade, iria encontrar emprego com tanta facilidade.

"Foi no Verão. Fui à Net e vi um anúncio a pedir escriturários para trabalhar numa empresa portuguesa em Luanda. Concorri e fui chamada no início de Janeiro", revelou, com um brilho no olhar.

O facto de ter nascido em Angola - apesar de ter nacionalidade portuguesa - foi uma vantagem. Para os empresários portugueses - que só podem contratar fora de Angola um terço dos seus trabalhadores - dar emprego a um trabalhador com nacionalidade angolana é uma vantagem: obtém vantagens fiscais e liberta mais uma vaga na sua quota de trabalhadores portugueses.

Ana trabalha como escriturária em Marco de Canaveses. Descontente com o parco ordenado de 750 euros, o que também ali a desespera é a falta de perspectivas de desenvolvimento profissional. "Há uns dois anos que tenho sentido a necessidade de emigrar. Vou pelo salário, claro, pois vou ganhar 2300 euros, além do alojamento e refeições oferecidos pela empresa. Mas sentia necessidade de sair deste país para fora", confessou.

Ana tem uma outra vantagem: não tem "amarras", é solteira. O mesmo não pode dizer Paulo Pereira, 42 anos, segurança, residente em Castelo de Paiva. Quando o tema da conversa é emigrar para Angola, o seu rosto queda-se triste e apreensivo. Sabe que no próximo dia 20 embarca rumo a Viana, uma pequena cidade da província de Luanda, onde vai trabalhar para uma empresa de segurança privada e... ganhar bastante mais do que os 800 euros mensais que agora leva para casa.

Por cá, ficam a mulher e as suas duas filhas, de 16 e 18 anos. "Eu aqui tenho a minha vida estável, mas penso muito no futuro das minhas filhas e do que lhes poderei dar. As saudades são a parte pior disto tudo", referiu.

Paulo Pereira conta "aguentar" por lá dois ou três anos. Tem receio das doenças e da insegurança que por lá possa encontrar. "Gostava de dar-me bem por lá e poder, mais tarde, levar a família comigo", consentiu.

Com ele, vai também Vítor Almeida, 36 anos, residente em Castelo de Paiva. Desempregado há já dois anos, depois de ter dado 10 anos da sua vida ao Exército, a oferta de trabalho para Angola foi a única que lhe surgiu depois de meses e meses à procura de algo.

"Vou com ânimo, pois sei que, finalmente, vou ter um emprego para trabalhar", afirmou, com satisfação. Lamenta que toda a dedicação que entregou à vida militar - participou em três missões de paz de seis meses na Bósnia - de nada lhe tenha valido. "Quando cheguei ao fim dos contratos, vim de lá com uma mão à frente e outra atrás", lastimou.

Deixa a mulher - também desempregada - e dois filhos, de 10 e 12 anos, em Castelo de Paiva para trabalhar em segurança privada. "O meu patrão oferece uma determinada quantia mais se eu quiser levar a família comigo, mas para já prefiro ver primeiro se me vou adaptar ou não", revelou.

Momento bom

Jorge Correia, 52 anos, está na cidade de Huambo (ex-Nova Lisboa) desde 2002. Em Portugal, deixou a família a tomar conta da empresa de materiais de construção que implementou em Oliveira do Bairro, há 12 anos.

"Quando começaram as dificuldades na construção civil e os negócios enfraqueceram, decidi vir para o Huambo, onde comprei uma empresa de construção civil e obras públicas", contou.

Jorge Correia confirma que este é um momento bom para investir em Angola. "Isto não é fácil, não é nenhuma árvore das patacas. Tenho avisado muitos portugueses de que é preciso saber trabalhar e, sobretudo, saber respeitar o povo daqui. Há quem venha ainda com um espírito colonialista e perca a noção da liberdade que este país tem. E isso é muito mau para quem quer vingar aqui", sublinhou.

A mesma ideia é partilhada por Rui Santos, um português radicado em Luanda desde 2002, onde criou uma empresa de consultadoria, que dá apoio à internacionalização de empresas.

"O empresário português não pode ver Angola como uma extensão de Portugal. É um mercado diferente, que exige uma abordagem diferente. E quem não percebe isto, enterra-se!", realçou.

Pela sua mão, mais de 60 empresas "nasceram" em Angola, na sua maioria de capitais portugueses. "Estamos num país que tem pela frente uma vasta obra de reconstrução nacional. Há obras por todo o lado e, por isso, há ainda mercado para muitas mais empresas", revelou. "Temos clientes do Vale do Ave, do sector dos têxteis e calçado, que trouxeram para cá as máquinas e estão a safar-se lindamente! É que há aqui 18 milhões de pessoas para vestir e calçar", salientou.

Faltam professores

Rui Santos realça como sectores ávidos de investimento os da saúde (material hospitalar e medicamentos), tecnologias da informação, marketing e publicidade, agricultura e pescas e formação. "Aqui há uma grande falta de professores de todas as áreas. Criar uma escola é ter alunos garantidos logo à partida", revelou.

Contudo, deixou um conselho: "Os portugueses que queiram investir aqui em Angola devem procurar apoio especializado e não virem com base em saudosismos e paternalismos, recorrendo a familiares e amigos", sustentou.

João Machado, 49 anos, angolano filho de portugueses e contabilista em Malange, admite ao JN que trabalhar naquele país "não é um mar de rosas". E esclarece: "Quem quiser trabalhar muito pode ter a certeza de que também vai ganhar muito. Agora, quem estiver habituado a trabalhar oito horinhas por dia e o resto é para descansar, pode estar certo de que aqui não vai ter futuro", deixou claro.

Essa mesma percepção do que é a vida laboral em terras angolanas tem António Pimentel, um engenheiro civil que, desde 2007, trocou Coimbra pelo Lobito, uma cidade da província de Benguela.

Na cidade do Mondego, explorava uma empresa familiar de administração de condomínios. Apesar dos negócios correrem bem, as perspectivas de desenvolvimento eram escassas. Em 2007, fez as malas, deixou para trás a mulher e dois filhos e foi exercer engenharia civil no Lobito. Hoje, dois anos depois, agora com a família ao seu lado, António Pimentel está a montar uma empresa de produtos médicos, já que a mulher está ligada ao sector da saúde.

"Angola é apelativa ao trabalho. Em Portugal, as pessoas têm a ideia de que isto é o Eldorado, mas desenganem-se. Há muita concorrência, principalmente dos chineses e brasileiros que para cá vêm, e é preciso trabalhar muito", frisou.

Vontade de partir

Sérgio Rodrigues, casado, 35 anos, residente em Coimbra, possui muita experiência na área da pintura e construção civil. Desempregado há um ano, tem tentado arranjar emprego em Angola, mas ainda nada conseguiu.

"Tenho um amigo que é pedreiro e ganha lá quatro mil euros por mês, quando aqui ganharia apenas uns mil euros", referiu. Vai continuar a tentar a sua sorte, pois "aqui em Portugal já não há mais condições de vida". Também Telmo Figueiredo, 34 anos, casado, funcionário judicial em Aveiro, procura um lugar em serviços sociais ou jurídicos ou recursos humanos em Angola. "Em Dezembro, ofereceram-me uma viagem para ir visitar um familiar em Cabinda. Não fui pelas dificuldades que Angola criou. Até queriam que eu levasse 200 dólares por cada dia de estadia!", revelou.




Comentário: PORTUGAL ESTÁ DE TANGA...

PORTUGAL ESTÁ NA TANGA ...

PORTUGAL ESTÁ UMA .... (adivinhem)

Só os sócretinos, é que acham que Portugal, é um país com muitas oportunidades para contornar a crise...Só os sócretinos inventam propagandas Freeport, acusando a oposição, para desviarem as atenções do povo para a crise.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Luanda deverá entrar em recessão

Fonte: Rádio Renascença

Depois de anos de prosperidade, a economia angolana deverá contrair este ano devido à baixa no preço do Petróleo, prevê a “Economist Intelligence Unit”.

A consultora espera que a quebra nas vendas e no preço do petróleo, aliadas a menores investimentos estrangeiro e público, arrastem o Produto Interno Bruto (PIB) angolano para um crescimento negativo, segundo o relatório a que a Agência Lusa teve acesso.

A confirmarem-se estas previsões, será a primeira vez que a economia de Luanda perde terreno, desde 1993


Comentário:Como é que vai ser?

Angola, tem gestores capazes e capacitados à altura, para gerir esta crise ?

Não me parece.Antes pelo contrário, lá como cá, vai existir muito oportunismo de todas as partes, para usarem a "crise" para justificarem os desgovernos em alguns sectores importantes (imcumprimento de promessas eleitorais), principalmente naqueles sectores dirigidos ao povo e de carácter social, como a melhoria de qualidade de vida.

Os novos ricos, vão-se aproveitar para enriquecerem ainda mais, à custa do pobre.

Veja-se o exemplo da exploração diamanterífera da «Catoca».Suspendeu a sua exportação, devido à fraca procura dos "ditos cujos-diamantes".

Poste trava fuga de prisioneiros algemados

Fonte: Jornal de Notícias

A polícia neozelandesa conseguiu capturar dois fugitivos com a ajuda de um poste. Na fuga, os prisioneiros esqueceram-se que estavam algemados um ao outro e tentaram passar pelo poste, um de cada lado... Veja o vídeo.

Como as leis da física são imutáveis e não permitem que se atravesse sólidos, a fuga acabou por ali e a polícia capturou-os facilmente.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Deputados com remunerações aumentadas

Fonte:Club-k

Luanda - O valor médio mensal das remunerações dos deputados angolanos (vencimento base+subsídios) foi elevado para c USD 10.000 c três vezes mais que na legislatura anterior. A medida terá sido influenciada por critérios políticos, entre os quais o de tornar atractivo o cargo de deputado, de modo a acomodar grupos internos do regime.



Ao vencimento base de um deputado, aumentado de c USD 1.250 para c USD 5.000, por votação em plenário, acrescem subsídios vários, tais como os seguintes:
- Subsídio de instalação: c USD 35.000 (ocasional).
- Subsídio para aquisição de viatura de função: c USD 75.000 (ocasional).
- Subsídio para manutenção de viatura: n/c
- Subsídio de manutenção de residência: c USD 35.000 (anual).
- Subsídio mensal de renda de casa: c USD 1.500 (mensal).
- Subsídio de atavio (vestuário): c USD 1.500 (mensal).
- Subsídio para pagamento de empregados domésticos: c USD 1.600 (mensal).

Uma nova modalidade de usufruto dos subsídios foi também adoptada. Os valores correspondentes passaram a ser depositados em contas dos deputados, cabendo aos mesmos a sua administração. Anteriormente era o Parlamento que processava pagamentos de aquisições e serviços prestados aos deputados, mediante apresentação de facturas.

A acomodação da elite política e da classe média ligada ao regime, ocorrida no seguimento das eleições de Set.2008, é considerada imperativo do esvaziamento a que o “desmesurado” resultado do MPLA sujeitou a UNITA e a oposição em geral, (a lógica foi a de colmatar o desaparecimento de um factor de coesão com a criação de outro).

O fraco resultado obtido pela UNITA fez esbater a “ameaça” que desde sempre lhe esteve associada (AM 340), tendo-se dissipado assim um factor de coesão de grande utilidade na manutenção da coesão interna do regime. As novas e mais compensadoras oportunidades de acomodação no poder, Governo, Assembleia, diferentes escalões da administração, foram calculadas para servir de novo factor de coesão.

A nova Assembleia Nacional, é na sua composição dominada pelo MPLA, com mais de 80% dos lugares. A UNITA tem apenas 16 deputados – quatro vezes menos que na anterior legislatura. Perdeu visibilidade ao ser-lhe atribuída a terceira vice-presidência (que nunca tem lugar na mesa) e esteve mesmo destinada a ocupar os lugares do fundo da sala de sessões.




Comentário: Cá(Tuga) como lá(Mwangolê) a vida é TÃO BELA para os DEPUTADOS.

EU JURO QUE CUMPRIREI FIELMENTE E DEDICAMENTE O CARGO PARA O QUAL FUI NOMEADO PELO VALOR DE 5.000 USD MENSAIS, ACRESCIDO DAS RESPECTIVAS AJUDAS DE CUSTO.

Viva o POVO que anda CEGO !!


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Luisete Araújo - Pré-candidata a Presidente da República Popular de Angola


2009 LUISETE ARAÚJO A ESCOLHA DO POVO

Luisete Macedo Araújo, em entrevista a uma das rádios da capital considerou que: “ ainda me falta apoio massivo mas o povo tem que me ajudar a escrever o próximo capítulo da história de Angola; a minha candidatura é para o povo. Estamos a criar já um amplo movimento de apoio a minha candidatura e todos aqueles que queiram fazer parte da mesma deverão dar a fotocópia do cartão eleitoral para poder na hora certa apresentar Ao Tribunal Constitucional. Podemos ver em cada esquina do nosso país as várias crises em que vivemos por isso temos que mudar o quadro cruel do país.

LUISETE ARAÚJO PODERÁ SER PAIXÃO DO ELEITORADO

As pessoas não escondem simpatia por Luisete. A candidata do povo como é conhecida e única mulher na corrida presidencial deixa bem claro que quer milhões de votos dos Angolanos, sente-se confortável quando é entrevistada pela imprensa. A Pré-candidata não tem currículo politico é cara nova no mercado isto agrada o povo e trás curiosidade. Luisete Macedo Araújo é neta materna de António Pedro Benje natural de Cabinda, preso político no então processo 50 e sobrinha de João Pedro Benge assassinado na rua Senado da câmara logo após o 25 de Abril de 1974.

MULHERES QUASE SEM DIREITOS

Luisete Araújo quer proteger as mulheres se for eleita presidente de Angola em 2009, com posições claras contra os maus tratos que as mesmas têm vivido em Angola. “ Vou envolver os media num crescente e ruidoso movimento, para que as mulheres conquistem espaço e dignidade de vida no país inteiro.
Luisete Araújo, desperta entusiasmo e amor ao próximo quando fala aos micros das rádios, diz que ama o país e que os governantes deveriam fazer o mesmo dando dignidade de vida ao povo, afirma ainda que: “Temos que tirar os nossos jovens do mundo das drogas e do alcoolismo, devemos acabar com a violência mental através de bons programas televisivos e criação de emprego.

TRAGO POLITICAS CLARAS PARA O POVO

Uma das primeiríssimas coisas que farei se for eleita presidente de Angola é tirar todos os doentes mentais e crianças da rua, dar-lhes uma nova oportunidade de vida através de um serviço médico de especialidade, fico com o coração partido quando vejo os doentes mentais – temos que tratar os nossos doentes. Que crescimento económico é este que deixa-os a viverem como animais? Trago políticas claras para o povo – temos esta tarefa de servir quando somos puder e não nos servirmos do povo.

LUISETE MACEDO ARAÚJO PROMETE:

Se for eleita presidente de Angola, quero ser uma presidente bem entrosada com o povo, saber como eles vivem, estar presente e sermos todos abençoados.

Folha 8 – Como se sente a entrada do ano das Eleições Presidenciais 2009?

Luisete Macedo Araújo – Estou consciente que terei muito trabalho pela frente, mas sinto-me motivada pois, enquanto existir a miséria nas proporções que se verifica em Angola, batalharei por esta causa. Angola é um super país, com riquezas imensas, mas com um índice de corrupção altíssimo. Ora, nós andamos aqui a confundir crescimento com a exploração de petróleo e desenvolvimento com a construção de casas. Pelo que sabemos, o desenvolvimento mede-se com um bom nível de vida do povo na sua maiorianão é o que acontece em Angola. “Quero fazer de Angola uma grande nação com ajuda de todos”.



Ler mais aqui : http://luisetearaujo.blogspot.com/



Comentário:Mulher de coragem.

É preciso ter coragem para enfrentar a máfia do MPLA, chefiada através do actual presidente ZeDu dos Santos e da sua respectiva família.

Vamos a ver, se o desejo de Luisete Araújo, não morre antes mesmo de se ter iniciado, com o aparecimento de entraves e o envolvimento de esquemas pouco claros, por parte de outras figuras que fazem parte da actual governação angolana.

É por este tipo de candidaturas, que eu alinho e denomino de partido " NOVO OXIGÉNIO PARA ANGOLA ".Novas pessoas, novas mentalidades, novas filosofias políticas e económicas, dirigidas para a unificação do povo angolano.É tempo de dizer BASTA, à governação e à manipulação da família Dos Santos durante 34 anos.

Tinta quatro anos, é tempo mais que suficiente para considerarmos a permanência de um presidente no poder, como sendo um regime de Ditadura/Dinastia familiar dos Santos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Angola: Polícia nega recrutamento à força de jovens para conflito na RDCongo

Fonte: Jornal de Notícias

Luanda, 07 Jan (Lusa) - A Polícia Nacional (PN) de Angola rejeitou hoje o alegado recrutamento de jovens nas províncias do Moxico, Lunda-Norte e Lunda-Sul para se envolverem directamente no conflito da República Democrática do Congo, como denunciou a Associação Mãos Livres.


Em declarações à Agência Lusa, o comissário-geral da PN, Ambrósio de Lemos, referiu que a polícia não tem competência para fazer recrutamentos militares.

A denúncia de que as Forças Armadas e a PN estavam a fazer "rusgas" para recrutar à força jovens para alegadamente enviar para a República Democrática do Congo (RDCongo) foi feita pela Associação Mãos Livres, uma organização que se dedica à defesa dos Direitos Humanos em Angola.

Refutando a acusação, Ambrósio de Lemos sublinhou à Lusa que "a Polícia Nacional não recebeu nenhuma orientação do Governo para que assim procedesse", acrescentando que já entrou em contacto com os comandantes provinciais da polícia do Moxico e das Lundas, e que "nenhum deles afirmou ter feito qualquer acção nesse sentido".

A Associação Mãos Livres, que congrega juristas e se dedica à defesa dos Direitos Humanos, especialmente na área da Justiça, fez esta denúncia salientando que durante as rusgas eram revistadas casas para a localização de jovens entre 14 e 30 anos para integrarem os efectivos militares angolanos que iriam combater na RDCongo.

"Não sei onde é que surgiu esse boato de que alguns elementos estariam a ser perseguidos para serem enquadrados na polícia ou nas forças armadas", frisou o oficial da PN.

Segundo o comissário-geral da polícia, a situação foi "categoricamente desmentida", quer pelo comandante provincial do Moxico, da Lunda-Sul e da Lunda-Norte, quer pelos governos locais.

"Não há qualquer acção nesse sentido. A polícia está a fazer recrutamentos na base de concursos públicos, tendo até excedentes de efectivos", afirmou Ambrósio de Lemos.

"Não foi a polícia nem as forças armadas mandatadas para fazer isso", reiterou.

Segundo relatos de fontes das FAA, divulgados pela imprensa angolana, a origem desta acusação poderá estar relacionada com algumas acções dos militares angolanos com o objectivo de evitar a infiltração em território angolano de elementos ligados a organizações separatistas da RDCongo, país que vive actualmente uma situação de conflito armado no Leste e que tem uma extensa fronteira com Angola.

As autoridades de Kinshasa já pediram a intervenção do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, no sentido de encontrar uma solução para o conflito que opõe Kinshasa ao general rebelde Laurent Nkunda, no Kivu-Norte.

Pedido que Luanda sempre rejeitou directamente, alegando que só no âmbito das organizações internacionais seria possível enviar tropas para o território.

Angola combateu ao lado das forças de Kinshasa contra os rebeldes durante a guerra civil na RDCongo (1998-2002).



Comentário:Simplesmente direi: "Não há fumo sem fogo".Tratando-se de uma organização composta por juristas, não é credível nem para essa organização nem para o impacto que esta acusação possa ter ao nível interno e externo.Não é credível, uma organização que se dedica à defesa dos Direitos Humanos fomente e alimente um boato.Quem conhece como funciona a estratégia política e militar em Angola, sabe que a contra-informação é a melhor arma dos governantes e militares.

Vamos aguardar pelo tempo.Ele dará as respostas necessárias.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Convite para festa de revellion de Isabel dos Santos custou 800USD por casal

Fonte: Club-k

Luanda - A badalada festa de “réveillon 2008-2009” promovida pela empresária Isabel dos Santos, é até agora tida como a mais cara das festas que ocorreu em Luanda. O preço inicial dos convites por cada pessoa custava 150 dólares americanos.

Em última da hora os mesmos bilhetes/convites chegaram a ser vendidos por 400USD por cada pessoa. (Quer dizer que um casal pagava 800 USD).




O local foi o habitual “Miami Beach”, restaurante pertencente a empresária localizado na Ilha de Luanda. Para aquisição de convites vendidos, em última da hora (comprados na porta do recinto) os organizadores com realce a Isabel dos Santos adoptaram como critério de selecção a exigência de exibição da cópia de um documento de identificação.

Isabel dos Santos terá sido mal interpretada pelos pressentes porque houve quem julgasse que ela estava pedir identificação para certificar se as pessoas fossem da designada “família nobre” próxima ao poder político/económico no país.

As festas de passagem de ano organizada por Isabel dos Santos tornaram-se tradicional devido a sua concorrência e selecção de “bom pessoal” (designação usada para descrever a juventude próxima a elite política/económica).

Festa também badalada ocorreu no restaurante Caribe e Chill out também situados na ilha de Luanda cujos convites chegaram ser comercializados por 200 dólares americanos. O Chill out e o Caribe restaurantes separados por um muro. Os organizadores colocaram uma espécie de ponte que facilitava a circulação dos convidados de uma festa para outra.


A festa no cine tropical, algures próximo a Avenida Lenine foi também bastante falada pela sua fineza. Os convites custaram 150 UDS por cada casal.



Comentário:Este tipo de festanças faz lembrar aquela canção, que diz:

"Eles comem tudo!Eles comem tudo! E não deixam nada!

Dedico essa canção a todos os angolanos que pactuam e acarinham este tipo de comportamentos e festanças organizadas pela família real "Dos Santos".

Continuem a apostar neles.Continuem os angolanos a achar que esta "corja mplista made in Santos" é o máximo e a ideal para governar o destino de Angola.

Compreendem agora, a razão porque o MPLA do Dos Santos teve receio do Voto da Diáspora.Porque os angolanos que estão na diáspora não pactuam nem toleram com este tipo de comportamentos corruptos contra a dignidade da maioria do povo angolano que continua a viver abaixo dos índices toleráveis de pobreza.Os corruptos pertencentes à corja Dos Santos, vão comer tudo e não vão deixar nada para o povo.


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Angola: Crise obriga a "reajustamento" no Orçamento mas não afecta reconstrução - José Eduardo dos Santos

Luanda - O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou hoje em Luanda que a descida dos preços do petróleo e dos diamantes obrigam a reajustamentos no Orçamento de Estado e no Plano Nacional para 2009, mas não vão afectar a reconstrução nacional.

Apesar da crise financeira global, o Governo angolano vai empenhar-se em manter a estabilidade política e macroeconómica e continuará a realizar investimentos públicos significativos na reabilitação e construção de infra-estruturas, garantiu José Eduardo dos Santos, na sua tradicional mensagem de fim-de-ano à Nação, transmitida em simultâneo nos órgãos públicos de comunicação social angolanos.

"No nosso caso, o preço do petróleo e dos diamantes tem estado a descer muito, exigindo do nosso Governo acções que visem o reajustamento do Orçamento Geral do Estado e de algumas metas do Plano Nacional para 2009", salientou Eduardo dos Santos.

Segundo o estadista angolano, "esse ajustamento, não vai modificar a estratégia nem os objectivos estabelecidos no domínio económico e social".

Nessa perspectiva, José Eduardo dos Santos disse que o executivo angolano vai criar empregos e condições para o crescimento da produção, na base do aproveitamento racional dos recursos naturais, respeitando o equilíbrio entre a economia e a ecologia.

"O Governo vai estimular e incentivar o investimento privado na produção, para aumentar a oferta de bens e serviços, e vai também desenvolver uma política adequada de investigação científica, de formação e gestão dos recursos humanos", frisou.

"Apesar das consequências que Angola possa sofrer por causa da crise económica mundial, pretendemos manter o nosso modelo de desenvolvimento sustentável e a tendência de forte crescimento económico, com a geração de empregos e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e das famílias angolanas", declarou José Eduardo dos Santos.

Segundo o Presidente angolano as conquistas já obtidas por Angola na reconstrução do país são "expressivas" e serão ainda "maiores" nos anos que se seguem, se os angolanos forem capazes de reconstruir também as mentalidades.

"A hora de começarmos a construir uma nova mentalidade é esta", alertou Dos Santos.

Relativamente ao ano de 2008 José Eduardo dos Santos elogiou a participação "maciça e exemplar" dos cidadãos nas eleições legislativas de cinco de Setembro, referindo que agora existe a certeza de que a grande maioria dos angolanos apoia "sem reservas" a política de reconstrução nacional e de desenvolvimento em curso.

"Para a completa normalização da vida política nacional falta-nos agora aprovar a nova Constituição da República e realizar as eleições presidenciais", afirmou.

Para Eduardo dos Santos, participação "consciente" do cidadão comum na vida nacional foi importante, desejando que seja complementada com a revalorização do seu lugar junto da família, do trabalho e da comunidade mais próxima, de modo a criar uma sociedade mais "justa e equilibrada".




Comentário: Era bom era.A crise ser mundial e um país como Angola, sem estruturas solidificadas, passar ao largo da "crise".Mentira tem perna curta.Esperemos pela passagem do tempo, para confirmar as palavras do presidente da nação através dos seus actos, uma vez que, ele anuncia públicamente que não vai modificar a estratégia.
A reconversão da mentalidade dos angolanos, passa primeiro pela mudança da mentalidade do Presidente da Nação e do partido político que ele representa.Deixarem de parte as mentiras que originam sonhos a muitos sonhadores.
Político, manda muito blá blá.
Político, é um vendedor de sonhos, experiente.O mundo está recheado deles.O Presidente Angolano, não é, nem nunca será uma excepção na venda dos sonhos ao seu povo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Banca: BCP vende participação no BPI a empresária angolana Isabel dos Santos


Fonte: Lusa

Lusa - O Millennium BCP vendeu a posição de 9,69 por cento que detinha no BPI a uma sociedade da empresária angolana Isabel dos Santos, por cerca de 164 milhões de euros, anunciou hoje o banco liderado por Carlos Santos Ferreira.
A Santoro Financial Holdings, que pertence a Isabel dos Santos - filha do Chefe de Estado angolano José Eduardo dos Santos - pagou 1,88 euros por cada acção do BPI, o que representa um prémio de 47 cêntimos, ou 33,3 por cento, face ao valor do fecho de hoje das acções do banco liderado por Fernando Ulrich (1,41 euros).

Desta forma, Isabel dos Santos reforça a sua presença no sector bancário português, juntando a participação no BPI à posição de 25 por cento que controla no capital do Banco BIC (liderado por Mira Amaral, antigo ministro da Indústria dos governos de Cavaco Silva).

O investimento no BPI permitirá ainda à empresária angolana estreitar as relações com o banco liderado por Fernando Ulrich, que recentemente abriu o capital do Banco Fomento Angola (BFA) à operadora de telecomunicações Unitel (que tem Isabel dos Santos entre os seus accionistas de referência).

O BPI torna-se, assim, o segundo grande banco nacional a contar com investimentos angolanos no seu capital, a par do Millennium BCP, que tem como principal accionista a petrolífera angolana Sonangol (com cerca de 10 por cento do capital).

A operação está sujeita a não oposição do Banco de Portugal, nos termos do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, refere o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).




Comentários: Acerca desta jovem - Isabel dos Santos e das suas fortunas pessoais eu já fiz demasiados comentários.Pena, que os angolanos e os portugueses estejam cegos à muitos anos, para permitirem estes negócios.Onde foi esta jovem arranjar tantos milhões-164 milhões.À custa do seu trabalho, suor e lágrimas não foi concerteza.Em outros locais, provavelmente chamariam a este tipo de negociatas "lavagem de capitais", cuja a proveniência pode ser duvidosa e em nome de terceiros.Quiçá de uma famosas família de Angola.De Santos, eles não têm nada.Santo, é o povo angolano e português que permitiram/em esta vergonha.

Os portugueses têm que fazer uma guerra, semelhante à que existiu em Angola pré-descolonização.Estão a ser escravizados e COLONIZADOS PELOS CAPITAIS PRIVADOS DA FAMÍLIA DOS SANTOS, idêntica (segundo os angolanos mplistas e portugueses socialistas de esquerda) ao que o Salazar terá feito em Angola e no restante ultramar português.Encetou uma colonização, permitindo-lhe encher os cofres portugueses com capitais africanos.Com uma diferença. Salazar encheu os cofres em benefício de um país, enquanto que a familia dos Santos está colonizar Portugal em seu benefício pessoal e particular.

Os culpados de tudo isto, são sempre os mesmos, os idealistas das revoluções e das guerras apoiantes da esquerda (PS- Mário Soares).Os tais, que em Angola e em Portugal se denominam por políticos de carreira.Foram eles que arquitectaram e fomentaram a vergonhosa descolonização e as guerras pós-independência.São eles, que actualmente fazem a mesma guerra do facilistismo aos investimentos (PS - Sócrates), jogando com os lobbies políticos, devido ao poder que a governação lhes confere, falando em nome de um povo.Mal sabe o povo, que tudo isto, não passam de jogadas e favorecimentos pessoais que provavelmente mais tarde trarão a quem participa e facilita este tipo de negociatas, a ocupação de um Alto cargo em alguma empresa angolana.Veja-se o exemplo de Mira Amaral (BIC) e de Jorge Coelho (Mota Engil).Como estes exemplos, existem centenas.Eles estão na política para retirar dela usufrutos pessoais, através dos cargos que ocupam durante os mandatos que o povo lhes confere.Não admira que a crise mundial esteja na banca rôta.A política deixou de ser um sacerdócio, para passar a ser um negócio com altos rendimentos.
Jogam entre eles na "bolsa", como se o povo fosse um peão ou uma carta fora do baralho.

Durão Barroso, é um bom exemplo de como os políticos podem usar um povo para jogarem na "Bolsa dos lobbies".

Durão Barroso, era um esquerdista(idealista).Virou à direita.Em nome de um povo foi eleito Primeiro Ministro.Na primeira oportunidade em que lhe ofereceram um alto cargo fora do país e do povo que o elegeu, não pensou duas vezes, abandonou o cargo o povo, e fugiu.Pensou primeiro nele, nos rendimentos que o cargo permitiam usufruir e outras regalias,e no curriculum que esse cargo traria para ele.Borrifou para o voto do povo.

A sua fuga, originou uma crise de governação no país, ao qual o Presidente da República de então, deu uma mãozinha ao PS.

PS, que se encontrava também ele numa crise, possível envolvimento de alguns dos seus militantes em escândalos de pedofilia que prontamente foram feitos emigrantes à força em países da Europa.Resolvida a crise e criadas as condições no PS que lhe permitissem assumir o poder, o Presidente da República (socialista,) entra em acçaõ, e retira o tapete a Santana Lopes (substituto de Durão Barroso).Cai o governo, antes de terminar o mandato popular.

Lá (Angola), como cá (Portugal) metem nojo.

É melhor calar-me, antes que a PIDE dos tempos modernos, bata à minha porta.

Eu sou pobre.Não sou rica, para poder pagar cauções chorudas ao Estado, permitindo-lhe encher os cofres vazios.Porque os políticos esvaziaram-nos com o facilistismo em isenções, permitidas aos grandes lobbies (empresas e fortunas pessoais) estrangeiros que investem em Portugal.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Angola proíbe documentário sobre a intervenção cubana em África

Fonte: Jornal Digital


LuandaO governo angolano proibiu a exibição do documentário «Cuba, uma Odisseia Africana», realizado pela francesa Jihan El Tahri, sobre a presença cubana em África e a sua intervenção militar, nomeadamente em Angola.

O documentário foi realizado em 2007 e revela África, um dos seus cenários mais desconhecidos, como um dos principais palcos da Guerra Fria. Entre 1961 e 1989 as nações africanas que tinham alcançado a independência, ou que lutavam ainda por ela, tiveram que enfrentar não apenas as antigas potências coloniais mas também as aspirações hegemónicas das duas potências, União Soviética e Estados Unidos, sobre o continente africano. Os soviéticos queriam prolongar sua influência a um novo continente, os Estados Unidos aspiravam a apropriar-se das riquezas naturais de África, os países colonizadores sentiam escapar o seu potencial colonizador e as nações recém-criadas pretendiam defendiam a sua independência.

Através de alianças internacionais os países africanos tentaram manter-se aquém desta disputa e garantir a sua independência protagonizando uma luta contra o capitalismo, o socialismo e o colonialismo. A ajuda dada por Cuba a revolucionários como Patrice Lumumba, Amílcar Cabral e Agostinho Neto foi importante uma vez que o país teve um papel de liderança na tentativa das nações africanas de controlar os seus próprios destinos. O documentário aborda a Guerra Fria e os seus conflitos focando o envolvimento de Che Guevara no Congo ou a batalha do Cuito Cuanavale em Angola, mostrando como a Cuba de Fidel Castro teve um papel crucial, embora pouco conhecido, na nova estratégia ofensiva das nações do Terceiro Mundo.

São feitas algumas revelações que vão contra o que é do conhecimento do público em geral sendo talvez essas revelações a causa de alguns acontecimentos menos democráticos. Segundo o documentário, o número exacto de soldados cubanos em território angolano era superior ao que é actualmente conhecido, mostra que foram os cubanos que estiveram nas frentes estratégicas da batalha do Cuito Cuanaval e que as tropas angolanas inicialmente sofreram derrotas nesta batalha. Talvez por causa destas revelações, um professor da Universidade Lusíada, e também comentador político, mostrou o documentário «Cuba, uma Odisseia Africana» e, além de ter sido chamado à atenção, pelos Serviço de Inteligência Militar, deixou de fazer comentários quer na Televisão Pública de Angola (TPA) quer na emissora estatal angolana (RNA). O semanário «Novo Jornal» classificou como «censurado» o filme que está a gerar polémica.




Comentário:O único comentário que apetece fazer, é dizer aos senhores encarregues pela " censura angolana", que: Quem não deve.Não teme.

Angola, continua a ser governada por uma democracia e liberdade de expressão, puramente e exclusivamente de FACHADA.
A verdadeira história de Angola, só será construída e conhecida quando as pessoas que têm este tipo de comportamentos, desaparecerem da face da terra.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Fidel Castro saqueou Angola e torturou angolanos

Fonte:Club-k

Brasil - Militante de esquerda, simpatizante do PC do B, o escritor angolano Nelson Pestana foi preso político em Angola. Ele conta que a tortura era feita pelo Exército cubano. Segundo ele, Fidel dilapidou o patrimônio de Angola, roubando até fábricas que eram levadas para Cuba. O exército cubano chegou a estuprar mulheres


DEPOIMENTO DE NELSON PESTANA, ESCRITOR ANGOLANO DE ESQUERDA

O papel de Cuba em Angola, do meu ponto de vista foi um papel de potência de segundo grau e de colonização. Os cubanos representaram um mercenarismo de Estado. Da mesma maneira que houve a intervenção de outros exércitos, como o sul-africano e o zairense, por parte dos outros movimentos de libertação, Cuba interveio para apoiar o MPLA. E interveio como força expedicionária que se apropriou da riqueza nacional, inclusive porque os cubanos, a uma determinada altura, mandavam no país. Os angolanos eram marionetes nas mãos dos cubanos. O poder angolano de Agostinho Neto dependia da força expedicionária cubana. Tanto é assim que, quando houve uma cisão dentro do MPLA e há um golpe de Estado em 27 de maio de 1977, esse golpe é controlado pelos cubanos, que estão do lado de Neto. São os cubanos que reprimem a tentativa de golpe de estado dessa corrente do MPLA, que era comandada por Nito Alves e que tinha o apoio da União Soviética. Os cubanos tinham interesses próprios, como potência regional de segunda ordem, e, nesse caso, ficaram em lado oposto aos soviéticos.

A intervenção em Angola trazia um desafogo para a própria economia cubana. O internacionalismo é discurso de propaganda. Os cubanos eram pagos e bem pagos, inclusive os soldados, não era só o pessoal civil que era pago. Lembra-me que, numa determinada altura, cada soldado cubano custava mil dólares para Angola, por mês. Era uma fatura muito elevada. O internacionalismo era apenas um discurso de legitimação. Essas quantias em dólares pagas aos cubanos deram um desafogo à economia de Cuba, que estava extremamente estrangulada na altura em que eles fizeram a intervenção em Angola. Daí os interesses diferentes de cubanos e soviéticos. Cuba apoiou Neto porque ele dava maior garantia aos cubanos de permanência no país. Cuba chegou a ter 60 mil pessoas em Angola, entre soldados e civis. Não eram os angolanos que diziam: "Agora, precisamos de 20 médicos". Cuba que mandava 30 médicos. Angola tinha que os aceitar e lhes pagar os salários, além de comprar todo o material que era operado pelos cubanos. Inclusive, antes de Angola estruturar sua própria força repressiva, os cubanos é que torturavam diretamente os angolanos.

Os cubanos são idolatrados como internacionalistas, sei que na América Latina eles têm essa imagem, mas, pelo lado da população angolana, eles são vistos como força de intervenção. Eles tiveram as práticas de todas as forças de intervenção, como violação de mulheres, apropriação de fábricas completas. Os cubanos, normalmente, eram os primeiros que chegavam às cidades desertadas pelas forças sul-africanas e de outros movimentos de libertação. Então, os cubanos se apropriavam de tudo aquilo que lhes interessava. Conta-se, inclusive, uma anedota, que acho que tem a ver com a realidade, que, numa primeira viagem de Estado que Agostinho Neto fez a Cuba, ele levou vários ministros, entre eles o ministro da Justiça, que teve a surpresa de ver, em Havana, o carro que lhe tinha sido roubado em Havana. Muitos carros circulavam em Havana com a matrícula "MP", que significava "matrícula pedida". Eram carros roubados em Angola, levados para Cuba e, depois, matriculados com uma nova chapa cubana. Mas não foram só carros. Foram roubadas até fábricas. Eram desmontadas as fábricas, postas em barcos e levadas para Cuba, assim como clínicas e hospitais.

Os cubanos fizeram uma depredação histórica em Angola, não só porque arrancavam coisas para levar para Cuba, mas também porque quebraram monumentos, alegando que eram alusivos ao colono. E a depredação dos cubanos não foi só na retirada deles, mas assim que chegaram. Era uma depredação organizada. Por exemplo, em Cabinda, que é uma região de floresta, que tem madeiras preciosas, eles cortavam a madeira, punham nos barcos e levavam, simplesmente não pagavam impostos, não pagavam a madeira, não pagavam nada. Faziam uma exploração da madeira, por conta própria, sem qualquer autorização ou acordo entre Cuba e Angola. Os cubanos destruíram a produção de cana-de-açúcar em Angola. Os cubanos comandaram, durante muito tempo, a marinha mercante angolana, e fretavam barcos para servirem à sua própria marinha mercante. E nós pagávamos frete de barcos cubanos que serviam à sua marinha mercante.

Eles fizeram imensas coisas. Há coisas que já estão sendo mais ou menos relatadas por cubanos dissidentes. De qualquer maneira, os cubanos não saíram totalmente de Angola. Saíram as tropas. Muitos deles converteram-se em negociantes e continuam em Angola, com lojas de comércio externo, clínicas, entre outros negócios. Alguns deles são uma força de reserva do próprio regime, porque um general que vira comerciante é sempre general. Há bem pouco tempo, o presidente angolano José Eduardo dos Santos visitou Cuba para um novo incremento da colaboração militar com Cuba. Apesar dos pesares, não temos uma atitude revanchista em relação aos cubanos. Naquilo que eles forem interessantes para Angola, conversamos muito bem, pode haver colaboração com Cuba.

Deixe me dizer que conheci Cuba, em 1981, e o que mais me chocou em Cuba foi o racismo contra os negros, pior do que no Brasil, mas como é uma revolução socialista, fala-se muito de Guevara, esconde-se muito isso. A guerra em África, tanto em Angola como na Etiópia, serviu, também, um bocado à comunidade negra cubana para a sua afirmação, para a sua promoção social, porque não se viam generais negros no Exercito cubano. Passou a haver numa determinada altura, porque a intervenção em África fez com que o discurso de Fidel incidisse sobre a recuperação das raízes africanas cubanas e isso motivou certa promoção da comunidade negra cubana. Há muito tempo que não vou a Cuba, mas, em 1981, quando estive lá, havia um racismo declarado em Cuba, a ponto de um branco não dançar com uma negra. E de eu me interessar por uma mulher que, nas circunstâncias, era negra e ela perguntar-me se eu efetivamente gostava dela, porque achava que um indivíduo com a minha pigmentação não poderia se interessar, de maneira nenhuma, por uma mulher de pele escura. Porque em Cuba havia essa separação, a separação das raças. Eu tinha companheiros cubanos desportistas que não dançavam num baile com brancas, porque se fossem pedir para dançar, elas não aceitavam porque eles eram negros. É um racismo que se pode encontrar mesmo nos textos do José Martí, quando ele fala no nosso "irmão mais novo", o negro, numa atitude paternalista, que é, também, uma forma de racismo.

Costumo dizer aos meus amigos brasileiros, alguns com militância no PT, que Fidel Castro, moralmente, está uns pontos abaixo de Pinochet. Porque Pinochet era um ditador, mas, hoje, pôs a sua cadeira à disposição de um referendo. Fidel Castro, apesar de ter sido aconselhado a fazer o mesmo, até para renovar a sua legitimidade, nunca o fez e continua a manter uma ditadura das mais retrógradas. Mas eu costumo dizer aos meus amigos brasileiros que o nosso ditador é sempre mais simpático que o ditador do outro. O Pinochet era o ditador da direita e, por isso, é aquela besta que reprimiu a república, que matou Allende. Sabemos disso e tenho muito respeito por essa resistência, mas eu vi um resistente do Chile a ir buscar o Pinochet em Londres, para que ele não fosse julgado por Baltazar Garzón. E ele explicava que a democracia tinha sido negociada com esse ditador, que decidiu renunciar ao poder porque perdeu um referendo.

Não tenho simpatia nenhuma por nenhum tipo de ditador, mas, como homem de esquerda, embora de uma esquerda democrática, que não aceita nenhuma forma de coação sobre as liberdades individuais e coletivas, não posso me identificar com um ditador como Fidel Castro. Eu me identifico mais com aqueles a quem ele chama de vendilhões da pátria, que são esses movimentos da sociedade civil que apenas têm a fragilidade de seus corpos para opor ao regime brutal de Fidel Castro. E é um regime verdadeiramente brutal. Não é por acaso que alguns intelectuais de esquerda que até há pouco tempo o apoiavam cortaram relações com ele. O último caso foi o do escritor José Saramago, que escreveu aquela célebre carta aberta.

Conheci Cuba e não vi as grandes conquistas do socialismo que eles vendem. Mas, mesmo que houvesse essas grandes conquistas do socialismo, nada justifica a opressão sobre as pessoas. Não é por um prato de arroz que um ditador qualquer tem direito a impor uma ditadura como a de Fidel Castro. Por isso, acho que o PT teria muito a ganhar demarcando-se desse tipo de ditadura, a não ser que ele concorde com uma política de dois pesos e duas medidas: por um lado, o PT que fez um percurso de 20 anos de luta e chegou ao poder pela legitimidade do voto popular; por outro, o PT que apóia Fidel Castro, um dinossauro que não tem legitimidade nenhuma.

Fidel não aceita pôr o seu poder ao referendo da população cubana, porque acha que isso é invenção do ianque. Mas não é. Ele pode organizar as manifestações que quiser, com a população que quiser, para dizer que aqueles ativistas cívicos cubanos que lutam pela liberdade do país não representam ninguém. Mas Ceaucescu, na Romênia, também tinha eleições com 90 por cento de aprovação, mas, de um dia para o outro, caiu e nós depois vimos o que era efetivamente esse poder. No Iraque, Saddam ganhou as últimas eleições que fez com 100 por cento dos votos, mas hoje vemos que as manifestações no Iraque contra a potência ocupante mostram uma pluralidade de movimentos e não 100 por cento em favor do ditador que foi derrubado pela intervenção americana. Fidel não tem, com certeza, 100 por cento da população do seu lado. Mas bastava que houvesse um cubano que pensasse diferente do Fidel para que ele tivesse o direito de pensar diferente.

Voltando ao PT, eu acho que há uma corrente no partido que, efetivamente, não aceita a democracia como modelo a seguir, que se submeteu a ela, nas circunstâncias do Brasil, e que, por isso, poderá ser sempre um risco para a própria democracia brasileira. E eu, não sendo brasileiro, sendo angolano, digo isso com preocupação, porque é normalmente nesses modelos ditatoriais que os nossos ditadores se inspiram. E, por isso, o exemplo brasileiro, nesse capítulo, pode ser um mau exemplo para Angola. E, como tal, eu tenho que me bater para que a própria democracia brasileira se fortaleça e se desenvolva naquele caminho que todos nós desejamos.


Comentário: Este depoimento quase que dá para fazer uma anedota de humor negro verdadeiro

Agostinho Neto, lá no seu descansado reino do todo Poderoso dos Céus, envia uma carta a Fidel de Castro e a José Eduardo dos Santos, a perguntar-lhes quais sãos os remédios que tomam para o tratamento das suas doenças cancerígenas, pois tardam em morrer para largarem o poder a favor das forças populares do internacionalismo imperialista apergoado por Fidel nas Nações Unidas em 1975, aquando da sua invasão em Angola.Ele (Agostinho Neto) está farto de esperar por eles no seu todo poderoso Reino dos Céus, que foi obrigado à força pela Rússia a construir e a ocupar antes da sua verdadeira hora chegar.Foi com entusiasmo que Agostinho Neto, foi recebido no reino dos Céus enviado pela Rússia, ao qual os russos entregaram de mão beijada o poder ao jovem José Eduardo dos Santos, a quem deram toda a formação e lavagem cerebral política para assumir o poder largado pelo defundo.Inclusive, até uma mulher de origem russa lhe ofereceram, da qual nasceu uma filha criola (russa/angolana) que é detentora de fortunas incalculáveis, sustentadas muito provavelmente à custa das balas, mortes, mutilação de muitos dos angolanos.Nenhum angolano, atreve-se a contestar as origens destas fortunas, porque sabe de antemão que corre sérios riscos.

Nada melhor, que deixar anexado a este comentário um vídeo, com as palavras que o próprio Fidel de Castro, proferiu nas Nações Unidas, onde ele sem gaguejar enumera as riquezas de Angola.

Construa-se a história de Angola, na base da verdade dos factos e dados.Basta de hipocrísia.Basta de culparem o Savimbi e outros mentores pela guerra ao poder em Angola. Porque os verdadeiros culpados continuam vivos e impunes.Continuam nesse poder a enganar o povo, tentando trocar as voltas à verdadeira história dos acontecimentos da guerra em Angola.A guerra em Angola, começou devido aos problemas da divisão interna dentro do MPLA, que usaram outras estruturas para camuflarem a verdade pelo assalto e a ganância ao poder com a ajuda dos Cubanos, Russos e Chineses.Esses sim, é que são os verdadeiros culpados e neste momento são os maiores parceiros de Angola.Quando é que o povo angolano vai acordar do sonho vendido através da falsidade para o pesadelo da verdade.Quando é que o povo angolano vai conseguir ter maturidade suficiente para aceitar esta dura realidade.Quando ?!


terça-feira, 18 de novembro de 2008

E se Obama fosse africano?



Por Mia Couto


Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos
de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato.
Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto.
Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu doshomossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos
devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos
ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia




Comentário:Estas perguntas devem ser respondidas, principalmente pelo africanos com a boca larga e apoiantes dos governantes ditadores/coruptos.Por aqueles africanos que conseguem em momentos eleitorais transformaros líderes ditadores em autênticos democratas.Onde os Estados Unidos, também tem a sua cota parte de responsabilidade.Veja-se o caso de Angola.José Eduardo dos Santos, em pouco tempo passou de um dos maiores ditadores (diabo) para um dos maiores democratas (Anjo) que inclusive poderia mudar o " rumo de toda a África " .A este tipo de viragens devido aos interesses económicos dos Estados Unidos e de outros países, com interesses em Angola e em África, chamamos, tal como Mia Couto refere, de PURO CINISMO.
Se a vitória de Obama, fôr como muitos andam por aí apergoar, como sendo a vitória dos negros. Obama, vai ter muito que trabalhar em África para alterar as mentalidades e para correr com os líderes corruptos africanos agarrados ao poder.Mesmo que esses líderes, tenham sido eleitos através do voto popular.Onde o povo inconscientemente é coagido a votar no(s) ditador(es).Pois, o povo conscientemente saberá, se assim o não o fizer, dará argumentos aos ditadores para iniciarem uma guerra, onde ele (povo) será a maior vítima.Portanto o povo Angolano votou conscientemente, a favor da sua segurança pessoal ao dar o seu voto ao MPLA representado pelo seu Presidente ditador, não dando margens nem a um (MPLA) nem a outro (JES) para terem motivos para iniciarem uma guerra de bastidores, perseguições e chacinas a famílias inteiras, a um povo, já por si massacrado devido aos interesses e à ganância particular dos líderes.
Mal por mal.Fica como está.Obama nada puderá fazer contra estes líderes africanos.A não ser, esperar que os ditadores e suas familias morram e desaparecendo da face da terra.

Se proventura algum mal, um dia vier acontecer a Obama, serão os próprios africanos a causar-lhe esse mal.Porque ele representa um incómodo para certos líderes e mentalidades xenófobas em África