quarta-feira, 17 de junho de 2009

Exposição - Arlete Marques



EVENTO

Convite

(Tela Arlete Marques)

No dia 19 de Junho temos o prazer de inaugurar a exposição de pintura e de escultura, “EVA”, dos artistas plásticos angolanos, Arlette Marques e António Magina, que apresentarão trabalhos na galeria do Restaurante “Orixás”. O preço do buffet de comida baiana é de 30.00€, sendo a exposição de entrada livre.

"A arte é um resumo da natureza, com reflexos na imaginação"
(Eça de Queirós)

De 19 a 24 de Junho. Abertura a partir das 19h00

Morada: Av. Adriano Julio Coelho, nº7, Sintra

Ver esquema em anexo

terça-feira, 9 de junho de 2009

CATOCA ADIA PROJECTOS

Fonte: o paostolado

A Sociedade Mineira de Catoca adiou a execução de vários projectos sociais, alegando a crise económica e financeira mundial.

Ficaram por concretizar, a construção de um bairro residencial para trabalhadores, uma escola politécnica, um campo de futebol, um pavilhão, posto médico e uma lavra comunitária, na Lunda-Sul.

O anúncio é do director interino de Recursos Humanos, João Reis, que falava no último sábado em Saurimo, na cerimónia de inauguração de um centro infantil.

Garantiu que a empresa está a viver dificuldades na comercialização de diamantes, pondo em causa a realização de projectos do quarto empreendimento mineiro do mundo.

“ Estamos a trabalhar no sentido de conseguirmos enfrentar todas estas dificuldades com realismo” – realçou João Reis, em declarações ao correspondente da Rádio Ecclésia.

De acordo com o responsável, a companhia vai continuar a gerir os projectos já existentes e a contenção é a principal estratégia da empresa, para resistir aos efeitos da crise global.



Comentário: Um dia o poço acaba-se, por um motivo ou por outro.Entretanto os proveitos do rendimento do poço, que deveriam ter sido aplicados em benefícios para as populações foram descuidados, porque algumas «corjas sangue-sugas» andaram a desviar os fundos ou para alimentar a guerra no passado, ou para alimentar as suas fortunas pessoais no presente.Como é o caso da família principesca Dos Santos, encabeçada pelas princesas Isabel Dos Santos e Tchizé, cujas as suas fortunas pessoais, derivaram(vam) das suas minas de diamantes particulares.

Como sempre, e para não variar, os prejudicados são sempre os mesmos.Mas ainda há, quem acredite nestes « dos Santos».

Os «dos Santos», só querem o «bem do seu povo».Se quizessem o bem do povo, tinham investido primeiro na concretização dos projectos, só depois, « disfarçadamente faziam o desvio das receitas» para o aumento das suas fortunas particulares.

sábado, 30 de maio de 2009

ANGOLA ENTRE OS PAÍSES À MARGEM DOS DIREITOS HUMANOS EM 2008

Fonte: o apostolado

Angola vem uma vez mais citada no relatório anual da Amnistia Internacional, AI. O país lusófono figura entre as nações que mais violaram os direitos humanos em 2008.

O documento considera que as autoridades angolanas cometeram alguns abusos no desalojamento das populações na cidade de Luanda.

“ Em Angola a situação preocupa-nos particularmente” - sublinha o porta-voz da secção em português da AI .

Pedro Kapusisk refere que “ há alguns desalojamentos forçados que ocorreram para o próprio desenvolvimento urbano de Luanda”, mas que de algum modo geram-se à margem dos direitos humanos.

“Cerca 200 famílias foram desalojadas para as periferias de Luanda, sem qualquer compensação ou foram dadas alternativas insuficientes”, relata Pedro Kapusisk.

As autoridades angolanas são ainda acusadas de limitar a liberdade de expressão e ao trabalho de alguns defensores dos direitos humanos.

Cita o “ gabinete dos direitos humanos da ONU que foi convidado a sair, uma ONG que foi encerrada, a SOS habitat, os investigadores da Amnistia que levaram mais de um ano a espera de vistos para trabalhar directamente em Angola”, entre outros.

A actuação da polícia é também criticada mas, elogia a criação da polícia de proximidade.



Comentário: Não adianta maltratar violentamente o povo à «bastonada», nem reprimir a liberdade de expressão,com os meios tecnológicos altamente sofisticados, ao alcance de todos aqueles que se preocupam em defender os direitos e deveres da liberdade dos cidadãos.

Tudo se sabe...


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dia da África

Fonte: Pravda



Um apelo à hipocrisia

Amanhã é 25 de Maio. O dia em que se formou a Organização da Unidade Africana em 1963. É o dia em que a comunidade internacional recorda que África existe e com egoísmo presunçoso, tenta coletivamente ganhar pontos promovendo todas as causas africanas enquanto perpetua os males que assombram os africanos.Tornou-se moda, para tantos, serem vistos como campeões de uma caridade ou de uma ONG africana para as mesmas razões que apresentar um bebê negro ao colo, patrocinar uma criança africana ou adotar um bebé sub-sahariano atrae a atenção mais facilmente do que algum miserável das espeluncas de Mumbai, uma moça indesejada da Mongólia Interior ou de qualquer outra criança que teve a infelicidade de ter nascido no lado errado de alguma fronteira.

Especialmente se a criança africana é fotogénica.

Mas quem, por exemplo, diz uma palavra sobre as crianças Sahraui, ou então do povo da Sara Ocidental, invadido e anexado pelo Marrocos em 1976 e negado o direito a ser nação? Quem aumenta a consciência pública sobre os milhares de línguas africanas - e simultaneamente de culturas - ameaçadas com a extinção quase numa base diária?

Quem se importa que os governos ocidentaisos mesmos que tiveram tantos dilemas sobre Saddam Hussein - negoceiam com regimes africanos não-democráticos, fazendo vista grossa aos seus abomináveis registos de Direitos Humanos?

Quem lê sobre as onze milhões (11.000.000) de pessoas deslocadas em África central e oriental, a pior crise de deslocação do mundo, causada pela violência por sua vez ventilada pelos poderes exteriores que continuam a desejar governar África com uma política da divisão interna, enquanto espreitam os recursos do continente e subornam os gerentes das instituições que os controlam?

Se corrupção existe em África, não é só porque os oficiais são corruptos, é igualmente porque foram corrompidos.Mas de repente, beleza! É o dia 25 de Maio! É dia da África! E amanhã tantos vão vestir a camisola da África e vão tirar a poeira dos apontamentos do ano passado, fazendo umas alterações à peça de opinião e apoiando as Grandes Causas Africanas de 2009 (depois de terem passado sem dúvida um ano inteiro a escrever disparates sobre África, ou não terem escrito nada, ou terem feito comentários insultuosos e racistas contra Africanos).


(O África Minha, subscreve e assina por baixo, tudo que está expresso neste texto)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Lançamento do Livro "Kimalanga" do escritor angolano Fernando Teixeira (Baião)

22 de Maio de 2009, às 18h na Casa de Angola em Lisboa, é apresentado o mais recente trabalho do Fernando Teixeira (Baião).

Estão pois intimados, convocados ou convidados a participarem no lançamento do livro “Kimalanga”, um livro de uma mordacidade acutilante, bem ao jeito do excelente contador de histórias que é este autor.


Prefaciado pelo Carlos Ferreira (Cassé), editado em simultâneo pela Prefácio e pela Chá de Caxinde, foi posto à venda a partir do dia 15 de Maio.A autoria da capa, pertence à pintora angolana, Arlete Marques(Lette).Se pretender estar com o Fernando Teixeira (Baião), nada melhor que participar no lançamento do livro no dia 22 de Maio, ali para os lados do Rato na Travessa da Fábrica das Sedas, em Lisboa.

Fernando Teixeira (Baião), é um angolano de Malanje, luandense de sempre, ocasionalmente belga por motivos políticos, foi quadro dirigente da banca angolana governante numa fase difícil da história de Angola.Hoje reformado, o economista foi emprestado à escrita, e a sua criatividade e sagacidade fazem com que “Kimalanga” chegue às bancas como o seu quarto livro.

Se querem saber mais, vão à Casa de Angola e assistam ao que se vai dizer dele. Quem não puder vir a Lisboa, ou não quiser subir ao Rato, pode comprar o livro e lê-lo!

INEVITAVELMENTE, TÁXI PÁRA NOS CEM KWANZAS EM LUANDA

Fonte: o apostolado

Defenitivamente, os taxistas de Luanda passaram a cobrar 100 kwanzas por corrida.

Uma subida anárquica significativa no custo de vida da esmagadora maioria de trabalhadores da capital, que pouco contam com os transportes públicos.

Um dos percursos mais dolorosos é sem dúvidas Luanda/ Viana.

Os utilizadores contaram ao Apostolado que acordam às três da manhã, para chegar entre 6 e meia e 7 horas no local de trabalho.

“ Não está fácil morar em Viana e trabalhar em Luanda ou vice-versa. Temos que acordar muito cedo para evitar engarrafamento e apanhar entre 4 a 5 táxis, que agora estão todos a 100 kwanzas” – resmungava Marcelina Naquinta, residente no bairro caope de Viana.

A nossa entrevistada conta que “ gasto entre 1000 a 1200 kwanzas de táxi todos os dias, desde que entrou em vigor o novo código de estrada, porque os taxistas dizem que passaram a ter mais custos”.

Naquinta é pasteleira em Luanda e ganha 25 mil kwanzas, salário que, segundo ela, “ fica todo nos táxis e por isso acho que só venho passear todos os dias em Luanda. Estou a pensar em abrir a minha própria pastelaria mas, lá está, terei que vir muitas vezes ao Roque Santeiro, onde costumamos comprar a maioria dos produtos”.

O relato é extensivo a outras rotas como Cacuaco/Luanda, Benfica Luanda ou Samba/Luanda, onde os engarrafamentos infernizam a vida e as expectativas de quem trabalha ou procura algo para sobreviver.

E, o que anima nas viagens de táxi, em Luanda, são as anedotas contadas pelas nossas rainhas “zungueiras”, que assim diluem a tristeza numa alegria simulada, porque difícil de esquecer são as crianças que as costas lembram, sem saber quando regressar à casa.

Diz Domingos Alberto, do Benfica, que “Luanda está a ultrapassar as medidas. As obras demoram muitos anos, os engarrafamento aumentaram, não se vê a prestação dos novos autocarros e os candongueiros estão insuportáveis. O que me dói é que o Governo é que o Governo também parece que colabora. É só ver que eles não criaram condições e fizeram um código de estrada nesta altura”.

São críticas e observações que se multiplicam por cerca de 25 mil táxis legais e ilegais que circulam na cidade.

O custo de vida subiu reflectindo-se no rendimento das famílias. Coisa para dizer que Luanda está de pedra e cal na liderança das cidades mais caras do mundo, sem que tal signifique uma qualidade na vida dos citadinos.

Um balanço imediato indica-nos que pelo menos um trabalhador que gasta cerca de 600 kwanzas diários em transportes e outros 700 em alimentação ( daquela da esquina), tem na sua conta de 22 dias úteis 28.600 kwanzas, superior ao salário da nossa pasteleira.
Uma questão para o Conselho de Concertação Social.


Comentário: Pois é, o povo reclama, barafusta, mas não vai adiantar nada, tão sómente, porque foi esse mesmo povo que votou maioritáriamente naqueles que pretendem continuar a sacar e vão fazendo leis sem criarem primeiro as condições para serem aplicadas.Todos ao molhe e fé em Deus, que o povo é que decidiu e deve ser respeitada a sua vontade e o destino da sua escolha.É mesmo coisa para dizer, Luanda e Angola vão continuar andar na boca do mundo pelas boas e pelas más razões.Os novos ricos felizes da vida e recomendam o país, o pobre infeliz, reclamando e tentando fugir dele(país).

Os meninos de angola, que por sinal até são da minha vizinhança, são dois jovens angolanos com formação superior tirada em Portugal, quando se fala em Angola e nas oportunidades que actualmente ela apresenta para eles, tão sómente respondem:

- Ir para Angola, só de férias!!Nós estamos tão bem aqui.Temos emprego, casa, carro e somos reconhecidos.Se fossemos para lá, tínhamos que ser estrangeiros ou andar atrás das cunhas (influências) para conseguir ter um lugar ao sol (emprego) capaz de garantir as despesas exigidas pelo nível de vida praticado.

Eles, é que são espertos.Não se deixam enganar pela lenga-lenga politqueira nem cegar pelas estrondosas obras de reconstrução, onde só, uma minoria com um nível de vida BASTANTE ELEVADO, consegue viver, misturando luxos com lixo e degradação, contibuindo e ajudando a publicitar o marketing das empresas internacionais que eles representam e o poder político que lhes facilita esse nível de vida, atirando cada vez mais, com o pobre povo angolano para a fossa.Fossa, é também coisa rara em Angola.Um luxo para o pobre que conseguir obtê-la.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Os Petrodólares dos Barris do Petróleo Angolano e a FOME E POBREZA DAS CRIANÇAS ANGOLANAS



É impensável, que as receitas geradas pelo Petróleo (crude) Angolano, não seja suficiente para Apoiar as crianças angolanas.


Por outro lado, se as receitas são suficientes para apoiar projectos megalômanos, como shoppings, condomínios, festas de arromba, casas no mussulo, etc, destinadas à nova classe social dos novos ricos, que usam óculos escuros todos os dias ao passarem nas estradas de Angola, por crianças em situações idênticas à da foto em anexo.


Ver mais imagens e saber mais, aqui: http://kandando-angola.forum-livre.com/


Tópico Dedo N'Frida - Profissões de Rua


Nota: É necessário fazer registo

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mistério em Angola

Fonte:Diário Económico


O Banco Nacional de Angola (BNA) tem novo Governador. Amadeu Maurício, que estava a meio de um segundo mandato de cinco anos, foi exonerado sábado passado pelo Presidente da República e substituído por Abraão Pio do Amaral Gourgel, até agora vice-ministro da Indústria.

A exoneração de Maurício e a nomeação de Gourgel foram conhecidas através de uma lacónica nota de imprensa divulgada num fim-de-semana e incluída num pacote, que continha uma mini remodelação governamental e uma dança de embaixadores. O ‘timing' e a forma de comunicação das mudanças no comando do banco central angolano teve o objectivo claro de as desvalorizar.

Percebe-se porquê. De acordo com a Lei, o BNA tem como objectivo principal assegurar a preservação do valor da moeda nacional, o kwanza. A estabilidade cambial é fundamental para a manutenção da estabilidade macroecómica, prioridade das prioridades de Luanda. Uma eventual desvalorização do kwanza aumentaria os preços dos produtos importados em moeda nacional, potenciando um círculo vicioso desvalorização-inflação-desvalorização.

Nos últimos anos, o kwanza foi suportado pelo aumento das reservas de divisas graças à feliz coincidência da subida do preço do petróleo com o aumento da produção angolana de crude. Entre 2003 e 2008 as reservas externas líquidas de Angola aumentaram quase 25 vezes de pouco menos de 800 milhões de dólares para mais de 18 mil milhões. Com a crise internacional o cenário inverteu-se. O preço do petróleo caiu e Angola foi obrigada pela OPEP a cortar a produção.

Resultado, as reservas de divisas cairam quase 25 por cento em quatro meses, de um pico de 20 mil milhões de dólares em Novembro de 2008 para pouco mais de 15 mil milhões em Fevereiro.

Esta quebra provocou uma corrida aos dólares, com a procura nos leilões do BNA a disparar de uma média diária de 50/60 mihões de dólares para 335 milhões.

Com o Kwanza sob pressão, a 13 de Fevereiro, o BNA foi obrigado a desmentir a iminência de uma desvalorização - ainda assim, a taxa de referência do BNA passou de 75 kwanzas por dólar nos últimos anos para os 76,4 actuais.

Oficialmente, a exoneração do governador Mauricio foi feita a pedido do próprio. Falta saber se o pedido foi feito de livre vontade ou se foi obrigado a tal. A imprensa privada fala em descontentamento do Presidente dos Santos relativamente à gestão de reservas de divisas - a imprensa oficial ignora olimpicamente o assunto, apesar da sua importância.

O quer que se tenha passado, foi violada uma das regras não escritas dos mercados financeiros a qual diz que os mandatos dos banqueiros centrais são para cumprir até ao fim. Com a moeda nacional sob forte pressão, este não era seguramente o melhor momento para se mudar o guardião do kwanza. A establidade macroeconómica começa na estabilidade das equipas responsáveis pela política macroeconómica.



Comentário: Foi sol de pouca dura.O verniz da pseudo democracia de fachada em Angola, já começou a estalar.Já começaram a «rolar cabeças».Já começou a «dança das poltronas».Já começou os atentados às regras nacionais e internacionais e aos direitos e deveres de cada cidadão.Isto, só é possível acontecer em democracias frágeis e inventadas pelo marketing do grande poder económico, que conseguiram transformar o MPLA e o presidente Dos Santos de Ditadores, corruptos e diabos, em Democratas, honestos e Santos.Durou pouco tempo, pelos motivos que todos os angolanos sabem e conhecem, dentro e fora de Angola.Pois só eles, conhecem bem os truques usados por esta máfia.A estranjeirada que anda vangloriar-se por Angola, está-se borrifando, em tempo de crise e de «saque», se o MPLA e o Dos Santos cumprem ou não as regras da democracia.Inclusive, até estão interessados em comer do próprio prato deles, enquanto Angola fôr a galinha que vai pondo os ovos d'oiro na cesta deles.O MPLA e o Dos Santos sabem disso.Todos juntos, estão-se borifando e maribando para Angola e para o povo Angolano.O que eles querem, é poder continuar a ter todas as condições para «sacar», de preferência sem ingerência nos atentados à democracia praticada por quem governa Angola.De preferência, a estranjeirada, até é, «cega, surda e muda» e vai vivendo na maior, ignorando a miséria.Usam óculos escuros e ao fim de semana, reunem-se para curtirem na maior, enquanto o povo faz contas à sua precariedade.

Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos.

As próximas cabeças e poltronas a serem decapitadas.





segunda-feira, 6 de abril de 2009

Portugueses saem à descoberta das noites loucas de Luanda

Ritmos africanos no terraço sobre a cidade, melhores DJ de música electrónica com vista para o oceano. Com muito alcool e sempre até de manhã. Debaixo do calor tropical.

Fonte:Correio da Manhã

O fio de suor já não perdoa o top branco da rapariga russa, condenado a descer pelo decote que vacila endiabrado aos batuques do kizomba. 'Isto é de loucos!' Meia hora de pista e está rendida à fúria do tambor. A saia curta cede ao ritmo africano. 'Ao calor'. Descalça de preconceitos no terraço do Palos, agora junto ao bar de madeira com vista para a torre da Sonangol, símbolo do império em expansão, não é a mesma Elena que chegara horas antes ao Chill Out só para jantar. 'Vodka tónico, por favor. Eles não param!' À primeira de quatro noites em Angola, a pretexto dos negócios do pai, foi traída pelo estilo inicial do primeiro bar. Pôr do Sol, cozinha francesa. Ambiente lounge. Deixou-se levar, embalada pelo vodka num espaço em mutação a céu aberto. E acabou cercada por gente local e europeus, dezenas de portugueses. Contaminada pelas noites loucas de Luanda.

Os miúdos de rua fazem lei à porta do espaço mais exclusivo da famosa zona da ‘ilha’, língua de terra que abraça a baía de Luanda. Dezenas de jipes topo de gama alinhados no parque do Chill Out em troca de 'uma gasosa'. A gorjeta. E o restaurante/bar/discoteca de Luís Castilho, jovem empresário de Lisboa, esgota a ritmo animado. 'Entrada selectiva' traçada por seguranças que lhe asseguram a 'boa frequência do espaço'. Habituado a reinar às sextas e sábados, a par do clássico D. Quixote, quinta-feira ali é noite de festa por excepção. Véspera de feriado pela chegada do Papa Bento XVI à cidade.

Dois shots ao balcão abrem caminho às primeiras horas de música electrónica, 'a única' que Luís, 27 anos, admite madrugada adentro no seu Chill Out. Num 'processo evolutivo', que arrancou em 2005, 'o objectivo é cada vez mais fazer uma casa de renome a nível internacional'. Para isso contribuem DJ famosos que 'hoje já vêm de Portugal e outros países mais facilmente a Angola'. E também por isso, mas sobretudo pelo jantar de sofisticada cozinha francesa e ambiente 'mais calmo' que antecede o culto da ‘House Music’, com vista privilegiada sobre a baía, o Chill Out foi paragem obrigatória para José Sócrates, Artur Albarran, Herman José, Marcelo Rebelo de Sousa, Bárbara Guimarães, Emídio Rangel, José Eduardo Moniz, Eusébio e restante equipa e comitiva do Benfica, ou a actriz brasileira Maitê Proença. No caso do ex-jogador Dani, em Março de 2007 foi à discoteca acompanhar o trabalho da namorada, DJ Poppy, por três dias, 'mas adoraram e ficaram por cá uma semana'.

Os dois shots ao balcão são para João e Miguel Silveira, primos que saíram da zona de Coimbra há dois anos e embarcaram juntos na aventura de Angola. Como consultores numa 'multinacional em expansão'. E mais não dizem. Nem é altura para falar de trabalho, prontos a desligar por três dias do stress das reuniões e do trânsito infernal de Luanda. 'Depois da meia-noite a cidade é um paraíso', garante João, já entretido com uma caipiroska ao canto da pista. Do dia restam o calor e a humidade de sempre, que pouco abrandam ao passar das horas. E os portugueses, franceses, alemães, russos ou holandeses que, além dos angolanos 'com poder de compra', suportam em Luanda preços de uma noite europeia. Uísque novo ou vodka, seis euros; cerveja de garrafa, quatro.

Também jantar não é barato na cidade. A oferta num bom restaurante, por um bife ou outros pratos que não deixam saudades de Lisboa, com cerveja ou vinho médio a acompanhar, ronda os 40 a 80 euros por pessoa. E as opções são várias. Sobretudo 'para quem conhece', grupos de portugueses que se formam à chegada de cada um a Luanda, apesar do trabalho em diferentes áreas, e que ao fim de meses funcionam como um clã. É nesse espírito que não falham um jantar de sexta ou sábado, normalmente em esplanadas, sempre que não partem para um fim-de-semana 'mais calmo' de praia em Cabo Ledo, a duas horas, ou na ilha do Mussulo, do outro lado da baía de Luanda.

Os resistentes apostam esta quinta-feira na primeira de três noites a prometer longa animação, como Tiago Mendes, que chega ao Chill Out já depois das duas da manhã. Sem pressas, quando o bar lounge deu lugar à discoteca agitada. O engenheiro civil bebe uma cerveja debaixo do 'calor insuportável', a que ainda não se habituou, já com a pista repleta de mulheres. Com o som das colunas a chegar à praia em frente. 'Há quem se queixe do calor mas o tempo é uma vantagem. Um país tropical permite rentabilizar um espaço destes, ao ar livre, doze meses por ano. Ao contrário de Portugal', recorda Luís Castilho. Muitos bebem pela noite dentro e caem vencidos. 'Dormem na praia...'

A concorrência de outros espaços da noite de Luanda 'nunca deu problemas, mesmo os mais antigos. Há mercado para todos. Até publicitamos as nossas festas à porta deles', com miúdos a distribuir panfletos junto ao Palos, por exemplo, que faz da quinta-feira a sua noite de referência. Casa cheia garantida. Ali, na discoteca de dois andares com vista sobre a cidade, a aposta é forte ao sabor dos ritmos africanos. Kizomba acima de todos, com a russa Elena deliciada entre uma multidão.

Marta e Ana, jovens advogadas do Porto, não perdem 'uma noite de Palos', no centro da cidade. Normalmente guardam o Chill Out para o fim-de-semana, mas hoje, por excepção, é lá que tudo começa. Até porque conduzir com álcool 'ainda é pacífico', confessam. Entre os espaços mais badalados da noite de Luanda restam o Elinga, com grande adesão de portugueses fora-de-horas, e o Miami Beach Club, da filha do presidente de Angola.

O clube privado de Isabel dos Santos, que tal como o Chill Out é construído em madeira e assenta numa praia, foi a primeira grande casa nocturna de Angola. Mediatizada pelas grandes festas de Ano Novo e Carnaval, onde atrai empresários e personalidades da política local e internacional. Destaca-se hoje em dia pelo ambiente à tarde e noites de domingo, mercado que o Chill Out de Luís Castilho não disputa. 'Só queremos ambiente de discoteca às sextas e sábados'. Nos outros dias é o regresso às origens, com o projecto do restaurante, quando Luís chegou a Luanda com o amigo madeirense Carlos Faria Paulino, 31 anos, em Outubro de 2005.

Concluído o curso de gestão hoteleira em Lisboa, Luís não tinha trabalho e o pai lançou-lhe o repto. 'Os meus pais estiverem cá antes do 25 de Abril e o meu pai regressou há 15 anos'. Abriu uma construtora, uma empresa de publicidade, um stand e um restaurante, o Caribe. 'Desafiou-me para vir e não pensei duas vezes, a ideia inicial era montar um restaurante de comida mais sofisticada e um bar de ambiente lounge. Só que a afluência de gente nova foi logo enorme e contratámos um DJ'.

A evolução para discoteca durou poucos meses e abriram sem publicidade, ao mesmo tempo que compravam mais colunas de som. 'Depois começámos a organizar festas e a trazer DJ de fora. Lembro-me que o primeiro foi o Pedro Tabuada, numa altura em que ninguém queria vir a Luanda com medo da insegurança.' Seguiram-se nomes como Gary Nesta Pine, Pete Tha Zouk, Stress ou King Bizz.

Já este mês, o Chill Out conta com o DJ Vibe para marcar o ritmo da festa prevista para o feriado de 25 de Abril. Nomes que comandam a música electrónica no espaço mais internacional de Luanda, onde Elena jantou com o pai; e a poucos quilómetros do Palos, onde a russa continua de cabeça perdida ao som do kizomba.

PORTUGUÊS LEVA 4 MIL PALMEIRAS DESDE MIAMI

A baía de Luanda é hoje ainda marcada por fortes contrastes, dividida entre os velhos edifícios devastados por 30 anos de guerra e a imponência das novas torres da cidade – construídas em tempo recorde nos últimos anos e que simbolizam o poder financeiro num país emergente. A maioria de grandes bancos internacionais, muitos portugueses. O projecto de requalificação da zona costeira é arrojado e também ele está nas mãos de um português, José Récio. O empresário, com actividade no país há mais de 20 anos, fretou em 2007 um navio e foi com a sua equipa até Miami buscar quatro mil palmeiras adultas, que conserva num horto a 80 quilómetros da cidade, e que pretende instalar na baía brevemente. O objectivo é criar naquela zona espaços verdes de grande atracção turística e empresarial.

CASAMENTO TRAVA VIDA NOCTURNA

Quando chegou a Luanda pela mão da família Castilho, em 2005, o madeirense Carlos Faria Paulino tinha por missão gerir o Chill Out com o amigo Luís. "Trabalhei aqui dois anos e meio", até que conheceu Inês Passarinho, actual mulher. "Não era fácil de conciliar com o ritmo da noite e decidi acalmar a minha vida profissional – aceitei um lugar como gestor da NCR Angola", a maior empresa informática do país; enquanto Inês, que já tinha família em Luanda, é hoje fisioterapeuta numa clínica da Sagrada Família, do grupo Endiama. A amizade de Carlos e Luís mantém-se – e o Chill Out continua a ser ponto de encontro "quase infalível" às sextas ou sábados. "Às vezes, as duas noites..."

"ADAPTAÇÃO A REALIDADE DIFERENTE"

Vânia conheceu Luís Castilho no Porto, onde começaram uma relação há cerca de dois anos e meio – e acompanha-o na aventura de Angola nos últimos cinco meses. Aos 28 anos, a ex-manequim procura ainda adaptar-se à realidade "bem diferente" de Luanda, mas, "à partida", não pensa em ficar muito tempo. Isto apesar da fácil integração social e profissional – sendo actualmente apresentadora do canal angolano TV Zimbo, que durante a visita do Papa Bento XVI ainda se encontrava em período de emissão experimental.




Comentário:Acho muito bem, que todos os expatriados que estão em Angola, aproveitem para provar a «água do Bengo» e fiquem vacinados para toda a vida.Dessa forma, quando um dia mais tarde, tiverem algum precalço, já sabem dar valor ao que MILHARES dos chamados Retornados (eu não retornei a lado nenhum, porque a minha terra é Angola) e angolanos obrigados ao exílio forçado, sentiram e ainda sentem quando se fala de Angola.

Que tenham mais sorte no estigma que inventarem para os catalogarem quando tiverem que regressar às suas origens.Que digam à sociedade e aos revolucionários de meia leca, que eles estavam errados na mentalidade e comportamentos que adoptaram para com os angolanos e portugueses aquando da revolução dos cravos.Foi uma revolução de cravos, porque a coragem era tanta, que nem uma bala as armas tinham para disparar.

Mas atenção, meus amigos, os angolanos de hoje, não são, nem têm a mentalidade de outrora.

Outrora levaram 500 anos para abrirem os olhos.Actualmente, podem levar 5 meses/anos como podem levar 50 anos.Portanto se não querem que a história do passado se repita, comecem já a pensar em garantir o vosso futuro além fronteiras.Caso contrário, regressam com uma mão atrás e outra à frente e na bagagem trazem desilusão, revolta pelos erros por vós cometidos durante as «farras e a vida frenética que o efeito da água do bengo provoca»

Efeitos anestesiantes, frenéticos, alucinados por um modo de vida e de estar, completamente diferente do europeu, americano, asiático.

Podem-me perguntar e inclusive alegar que estarei «roída de inveja».

Responderei simplesmente:

-Não estou.

Tenho os pés bem assentes no chão, para saber que depois do sonho, vêm as consequências do pesadelo.

Boa sorte, para a nova geração de expatriados (antes tinham outro nome mais agressivo) aventureiros por terras angolanas

quarta-feira, 1 de abril de 2009

ACTUALIZAÇÃO DO REGISTO ELEITORAL


Fonte: o apostolado

A fase de actualização do registo eleitoral tem inicio esta quarta-feira em todo o território nacional.

O processo tem duração de dois meses e abrange cidadãos nacionais que completam 18 anos até 31 de Dezembro do ano em curso e os que por qualquer motivo não tenham efectuado o registo eleitoral.

Além do registo nas administrações municipais e comunais, o Ministério da Administração do Território vai promover o registo dos cidadãos em postos e brigadas móveis nos locais de difícil acesso.

Para o efeito, o ministro da Administração do Território, Virgílio de Fontes Pereira, reuniu-se recentemente, em Luanda, com entidades provinciais para análise da preparação do processo.

"Procuramos analisar questões ligadas à formação dos agentes eleitorais, cujo universo rondará os mil e novecentos, entre chefes de brigada e brigadistas, devendo ser utilizado o modelo de actualização idêntico ao do ano passado", explicou.

Fontes Pereira revelou ainda que o "software" usado no registo eleitoral em 2007 foi aperfeiçoado, para permitir melhor desempenho técnico, o que obriga ao refrescamento dos brigadistas antigos e a formação de novos agentes.

Esta fase não abrange ainda o registo de cidadãos no estrangeiro, pelo que aqueles que se encontram na diáspora e estiverem interessados devem deslocar-se ao país para fazer o seu cadastramento.


Comentário: A parte que eu mais gostei, foi :Esta fase não abrange ainda o registo de cidadãos no estrangeiro, pelo que aqueles que se encontram na diáspora e estiverem interessados devem deslocar-se ao país para fazer o seu cadastramento.

Cadastramento,é uma palavra derivada de cadastro.

Cadastro corresponde ao perfil de um cidadão com registos na justiça, equivalente ao «registo criminal».

Muito interessante o cadastramento dos cidadãos angolanos(estrangeiros na diáspora)

terça-feira, 17 de março de 2009

PROFESSORES PORTUGUESES, UMA MAIS VALIA E NÃO CARÊNCIA DE NACIONAIS

Fonte: o apostolado

Sindicato dos professores do ensino superior contesta vinda de professores portugueses a Angola.

“ É uma mais valia mas não representa uma carência de docentes nacionais” – comenta o Presidente do Sindicato, Heitor Timóteo.

Segundo o docente, Angola tem quadros para suprir esta carência. O que acontece é que não existe salário e condições combatíveis para os angolanos.

“ Se o Governo colocar à disposição de que quem quiser entrar na universidade ou dar aulas para minimizar a insuficiência destes docentes, dando um salário digno, comparável ao dos magistrados e uma casa, tenho a certeza que muitos professores vão aparecer”- referiu.

Cerca de 20 docentes universitários portugueses estão já a caminho de Angola, para leccionar nas universidades públicas angolanas, ao abrigo dos acordos bilaterais entre os Governos de Angola e de Portugal.

O analista político e docente universitário, Justino Pinto de Andrade considera a contratação de professores portugueses como um dos ganhos mais significativos dos acordos entre os dois países.

“Eu acho que isso é muito importante para Angola, isto é ter a cooperação de professores vindos de várias origens, sobretudo vindos de Portugal, uma vez que sabemos que o domínio da língua portuguesa está muito difícil aqui em Angola” – sustentou.


Comentário: Estão-se todos aproveitar.

Como diz DogMurras, na sua canção,
"Bom emprego para os estrangeiros, portugueses, chineses, etc, e para o angolano hum hum hum "

O ensino em Portugal, está de rastos.Tudo por culpa das más políticas do governo/desgovernado dos Sócretinos.Os efeitos dessas más políticas estão à vista, com a criação de parcerias, cujo objectivo é exportar os excedentários para Angola, baixar os números na taxa de desemprego ao nível da UE, principalmente no sector do ensino.Tentar tapar o sol com a peneira.

Tudo vai depender da qualidade dos professores eleitos para irem para Angola.

Na volta, os eleitos são os amigos, dos amigos do grupo de Sócretinos, que vêm na ida para Angola uma oportunidade para subirem na vida e fazerem carreira.

Ver para crer, como em São Tomé.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Presidente da Guiné-Bissau assassinado por militares


Fonte: O Sol

O Presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira, foi assassinado num ataque à sua própria casa, informação já confirmada oficialmente. A morte do presidente estará ligada ao atentado desta noite que vitimou o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas



Atentado à bomba mata chefe do Estado-Maior das Forças Armadas O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Guiné-Bissau, o general Tagmé Na Waité, foi morto nesta madrugada num atentado contra o quartel-general do Exército em Bissau, anunciou o seu chefe de gabinete, o tenente-coronel Bwam Nhamtchio

Comentário:Simplesmente direi: Quem com ferros mata.Com ferros morrerá

Quanto ao que os sócretinos dizem por aí, é tudo mera hipocrísia de circunstâncias.Quem está dentro do «convento» é que sabe o que por lá se passa.Certamente, que não se mata alguém porque ele foi um «santo/inocente».

É menos um ditador.Sigam-se os outros.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A crise, uma oportunidade - I

Fonte:África21

A primeira coisa a fazer, face à crise, é combater e superar essa ilusão. Como dizem os brasileiros, é preciso “cair na real”. Impõe-se, por conseguinte, valorizar o trabalho e a produção

O mundo está em crise. O país (Angola), como não podia deixar de ser, também está em crise. Passado o optimismo balofo dos últimos meses do ano passado – alimentado pelos áulicos de costume e enterrado pelo presidente da República no seu discurso de fim de ano -, a crise, finalmente, virou manchete da própria comunicação social do Estado.

A situação tem de ser assumida por todos, dos governantes aos cidadãos comuns, passando pelos quadros, os empresários, os fazedores de opinião e outros. Para que isso aconteça, o exemplo tem de partir de cima. Se as elites continuarem a comportar-se como se nada estivesse a acontecer, a crise acabará por engolir-nos a todos, o que terá consequências imprevisíveis.

A economia, como se sabe, está longe de ser uma ciência exacta, possuindo uma inquestionável componente psicológica. Nesse sentido, é imperioso recordar que, desde os anos 80, com o advento do “capitalismo flexível”, criou-se a terrível ilusão de que todos poderiam ser ricos, muitas vezes da noite para o dia, adquirindo a economia uma forte feição especulativa, em detrimento da produção (daí a designação criada por Harvey para esse modelo: “economia de casino”).

A “farra do crédito” levou países, empresas e indivíduos a pensar que poderiam viver indefinidamente acima das suas possibilidades.

Os germes dessa ilusão chegaram a Angola logo após a abertura política e económica dos anos 90. Devido à guerra que paralizou o país, não se manifestaram de uma vez só, mas a verdade é que acabaram por se afirmar com toda a brutalidade e, por vezes, boçalidade, como o demonstram certas atitudes de alguns membros da emergente burguesia angolana. Esse exemplo contaminou toda a sociedade, transformando-se, hoje, num traço sociológico transversal (a erosão da cultura de trabalho e a inexistência da cultura de poupança são dois sintomas disso).

A primeira coisa a fazer, face à crise, é combater e superar essa ilusão. Como dizem os brasileiros, é preciso “cair na real”. Impõe-se, por conseguinte, valorizar o trabalho e a produção, combater a especulação, aumentar a responsabilização, a todos os níveis, reforçar a disciplina, controlar melhor os gastos e criar hábitos de poupança.

Em qualquer país, as autoridades têm de ser as primeiras a dar o exemplo. A avaliar pelas decisões da última reunião do Conselho de Ministros, parece que o governo angolano está disposto a fazê-lo.

Com efeito, o cancelamento da Cimeira Mundial de Diamantes, a reprimenda do presidente aos gastos do Can 2010 e, em especial, a aprovação de uma linha de crédito para financiar os pequenos e médios produtores agrícolas são exemplos de medidas realistas e positivas, para tentar minimizar os efeitos locais da crise. Chamou-me também a atenção a notícia de que o governo quer garantir que a produção de biocombustíveis não entre em competição directa com a produção alimentar nacional.

Entretanto, se eu critico o “optimismo balofo” que jurava (?) que a crise não atingiria Angola, também estou longe de partilhar o “pessimismo sistémico” de muitos, incapazes de ver as coisas em perspectiva. Assim, e embora não seja um especialista em assuntos económicos, acredito que a actual crise mundial pode ser uma oportunidade para o nosso país.

Desde logo, a crise pode ser a grande oportunidade de Angola para diversificar decididamente a economia, superando a sua actual dependência do petróleo. A aposta na agricultura e a re-industrialização do país (em especial a indústria ligeira e agro-alimentar) parecem-me medida urgentes, para permitir a produção interna de bens e mercadorias até agora importados, os quais poderão ser afectados pela recessão que começa a atingir os países desenvolvidos. Além disso, a criação de indústrias será um grande factor gerador de empregos.

De igual modo, não se deve esquecer a recomendação de todos os economistas de prosseguir as obras públicas estruturantes (estradas, pontes, ferrovias e outras), assim como a necessidade de adoptar medidas, nomeadamente salariais, mas também no domínio dos impostos e das taxas de juro, a fim de manter o consumo em níveis desejáveis para garantir a produção.

Enfim, é preciso preservar a confiança e o optimismo realista (ou “preocupado”, como gosto de dizer). Não é demais insistir que, na economia real, os aspectos psicológicos podem ser cruciais. Apenas para dar um exemplo externo, é por essa razão que Delfim Neto, considerado o “czar” da economia brasileira durante o regime militar e não só, afirmou recentemente que Lula “é o melhor economista brasileiro”, precisamente pela atitude que tem mantido diante da crise mundial.

Surpreendente? Não. Elementar, caros leitores.

Comentário:Surpreendemente, é o que ainda estará para vir.Quem é que, vai conseguir mudar a mentalidade de todos aqueles que enriqueceram (caso da família Dos Santos&CªLdª) do dia para a noite, sem terem que justificar um único kwanza, perante o povo angolano.Antes pelo contrário, o exemplo dessa família e de outras semelhantes, é de, ao invés de investirem na poupança, estão a aplicar em investimentos privados no estrangeiro.O povo pensa de acordo com a cabeça dessas famílias.Pensa, «se eles conseguiram e tudo lhes é permitido, eu (povo) também poderei e me é permitido».É impressionante como as cabeças politiqueiras da família dos Santos, de um momento para o outro, acordaram e se lembraram, que o povo angolano estava necessitado de lições de moral para travar o esbanjamento dos saques e desnorte acumulado durante anos de vícios.Quem vai travar o esbanjamento da família Dos Santos&CªLdª.Quem ?

Surpreendente?Não!

Simplesmente a pura realidade.Medo, da falta de capacidade e de inoperância das medidas para o combate ao esbanjamento por parte de quem governa.O travão ao esbanjamento tenha os seus efeitos negativos, precisamente na classe de quem governa e arraste o país para o caos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Rússia:Aviões russos desaparecidos em Angola "ressuscitam" em filme de Hollywood



José Milhazes, da Agência Lusa **

Moscovo, 12 Fev (Lusa) - Alguns dos aviões russos Antonov que desapareceram em Angola durante a guerra entre o MPLA e a UNITA foram utilizados na rodagem do filme O Senhor da Guerra, revela a revista russa Ekho, que sairá para as bancas sexta-feira.
O principal herói desse filme de Holywood é o traficante de armas soviético Iúri Orlov, interpretado pelo actor Nicolas Cage e que teve como modelo Victor But, russo que foi detido em 2008, na Tailândia, a pedido das autoridades norte-americanas.
Entre outros crimes, But, antigo militar russo que domina perfeitamente o português e trabalhou em Angola e Moçambique, é acusado de traficar armas.
"Quando estavam a ver esse filme, os nossos especialistas em aviação ficaram atónitos com uma descoberta inesperada. Segundo alguns sinais externos, um dos aviões que participou nas filmagens é um dos aparelhos Antonov 12 que desapareceram em Angola e são procurados internacionalmente", declarou à Ekho o piloto de testes russo Serguei Kudrichov, que dirige uma organização social que tenta descobrir o paradeiro de tripulações russas desaparecidas em Angola.
"Isto é uma nova pista", afirmou Kudrichov à Agência Lusa, acrescentando que "na natureza, não existem dois aviões iguais. São como as impressões digitais. Cada um tem as suas particularidades: cabinas, asas, fuselagem, aparelhos externos".
"A nossa organização falou com especialistas e pilotos que se recordam de todas as particularidades do avião que desapareceu em África. Claro que se trata de um reconhecimento visual, que não dispensa uma análise directa do aparelho", precisa o piloto russo.
Kudrichov disse à Lusa que a organização que dirige - "Pelo Regresso a Casa" - vai pedir esclarecimentos aos produtores de "O Senhor da Guerra".
Entre 1997 e 1998, nos céus de Angola desapareceram cinco aviões com 23 tripulantes, cidadãos da Bielorrússia, Rússia, Moldova e Ucrânia.
Em Janeiro de 1998, um Antonov 12 desapareceu depois de ter descolado do aeroporto angolano de N´zaje. Entre os passageiros estava o cidadão português António Horta.
Serguei Kudrichov e os familiares dos pilotos russos desaparecidos não têm dúvidas de que é preciso continuar a procurar os aviões, considerando que os aparelhos não se despenharam, mas são utilizados em negócios poucos transparentes em África.
"Num encontro com os familiares dos desaparecidos, o general Roberto Leal Ramos Monteiro `Ngongo`, então embaixador angolano na Rússia, reconheceu que os serviços secretos angolanos teriam interceptado uma comunicação de rádio do comandante Stadnik sobre o desvio da tripulação do Antonov-12 e sobre o seu trabalho na mira de metralhadoras", recorda Kudrichov.
"Recentemente, encontrámos dois aviões semelhantes aos que procuramos há já dez anos. O nosso perito, que se arriscou a aproximar-se deles, reconheceu-os como `nossos` por uma série de sinais", adiantou.
"Teve de se afastar rapidamente dos aparelhos devido à pressão da segurança", prossegue Kudrichov, e acrescenta, mostrando fotografias aéreas dos aparelhos: "isto confirma essa informação".
O piloto russo não revela o nome do aeródromo em que foram vistos os aparelhos russos por razões de segurança das tripulações, mas a agência Lusa apurou que se trata de um país vizinho de Angola.
"Acreditamos que as pessoas que procuramos podem estar nas mãos de uma `terceira força`, que actua em todo o Sul de África. Nessas regiões há minas de ouro, diamantes e platina e, frequentemente, são controladas por mercenários que garantem os interesses de homens de negócios estrangeiros", frisou.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

"Até para semear couves eu emigrava para Angola!"

Fonte: Jornal de Notícias

Portugueses partem em busca de trabalho e ordenados "chorudos". Os que já lá estão rejeitam a ideia de "Eldorado" e falam em trabalho árduo, mas compensador. E cada vez há mais quem queira partir


FERNANDO BASTO

"Eu nem que tenha que ir semear couves e batatas, prefiro ir para Angola do que ficar por cá. Sempre vou para um país mais quente. Além de ir ganhar o triplo, claro!". Ana Rodrigues já não acreditava que, com 49 anos de idade, iria encontrar emprego com tanta facilidade.

"Foi no Verão. Fui à Net e vi um anúncio a pedir escriturários para trabalhar numa empresa portuguesa em Luanda. Concorri e fui chamada no início de Janeiro", revelou, com um brilho no olhar.

O facto de ter nascido em Angola - apesar de ter nacionalidade portuguesa - foi uma vantagem. Para os empresários portugueses - que só podem contratar fora de Angola um terço dos seus trabalhadores - dar emprego a um trabalhador com nacionalidade angolana é uma vantagem: obtém vantagens fiscais e liberta mais uma vaga na sua quota de trabalhadores portugueses.

Ana trabalha como escriturária em Marco de Canaveses. Descontente com o parco ordenado de 750 euros, o que também ali a desespera é a falta de perspectivas de desenvolvimento profissional. "Há uns dois anos que tenho sentido a necessidade de emigrar. Vou pelo salário, claro, pois vou ganhar 2300 euros, além do alojamento e refeições oferecidos pela empresa. Mas sentia necessidade de sair deste país para fora", confessou.

Ana tem uma outra vantagem: não tem "amarras", é solteira. O mesmo não pode dizer Paulo Pereira, 42 anos, segurança, residente em Castelo de Paiva. Quando o tema da conversa é emigrar para Angola, o seu rosto queda-se triste e apreensivo. Sabe que no próximo dia 20 embarca rumo a Viana, uma pequena cidade da província de Luanda, onde vai trabalhar para uma empresa de segurança privada e... ganhar bastante mais do que os 800 euros mensais que agora leva para casa.

Por cá, ficam a mulher e as suas duas filhas, de 16 e 18 anos. "Eu aqui tenho a minha vida estável, mas penso muito no futuro das minhas filhas e do que lhes poderei dar. As saudades são a parte pior disto tudo", referiu.

Paulo Pereira conta "aguentar" por lá dois ou três anos. Tem receio das doenças e da insegurança que por lá possa encontrar. "Gostava de dar-me bem por lá e poder, mais tarde, levar a família comigo", consentiu.

Com ele, vai também Vítor Almeida, 36 anos, residente em Castelo de Paiva. Desempregado há já dois anos, depois de ter dado 10 anos da sua vida ao Exército, a oferta de trabalho para Angola foi a única que lhe surgiu depois de meses e meses à procura de algo.

"Vou com ânimo, pois sei que, finalmente, vou ter um emprego para trabalhar", afirmou, com satisfação. Lamenta que toda a dedicação que entregou à vida militar - participou em três missões de paz de seis meses na Bósnia - de nada lhe tenha valido. "Quando cheguei ao fim dos contratos, vim de lá com uma mão à frente e outra atrás", lastimou.

Deixa a mulher - também desempregada - e dois filhos, de 10 e 12 anos, em Castelo de Paiva para trabalhar em segurança privada. "O meu patrão oferece uma determinada quantia mais se eu quiser levar a família comigo, mas para já prefiro ver primeiro se me vou adaptar ou não", revelou.

Momento bom

Jorge Correia, 52 anos, está na cidade de Huambo (ex-Nova Lisboa) desde 2002. Em Portugal, deixou a família a tomar conta da empresa de materiais de construção que implementou em Oliveira do Bairro, há 12 anos.

"Quando começaram as dificuldades na construção civil e os negócios enfraqueceram, decidi vir para o Huambo, onde comprei uma empresa de construção civil e obras públicas", contou.

Jorge Correia confirma que este é um momento bom para investir em Angola. "Isto não é fácil, não é nenhuma árvore das patacas. Tenho avisado muitos portugueses de que é preciso saber trabalhar e, sobretudo, saber respeitar o povo daqui. Há quem venha ainda com um espírito colonialista e perca a noção da liberdade que este país tem. E isso é muito mau para quem quer vingar aqui", sublinhou.

A mesma ideia é partilhada por Rui Santos, um português radicado em Luanda desde 2002, onde criou uma empresa de consultadoria, que dá apoio à internacionalização de empresas.

"O empresário português não pode ver Angola como uma extensão de Portugal. É um mercado diferente, que exige uma abordagem diferente. E quem não percebe isto, enterra-se!", realçou.

Pela sua mão, mais de 60 empresas "nasceram" em Angola, na sua maioria de capitais portugueses. "Estamos num país que tem pela frente uma vasta obra de reconstrução nacional. Há obras por todo o lado e, por isso, há ainda mercado para muitas mais empresas", revelou. "Temos clientes do Vale do Ave, do sector dos têxteis e calçado, que trouxeram para cá as máquinas e estão a safar-se lindamente! É que há aqui 18 milhões de pessoas para vestir e calçar", salientou.

Faltam professores

Rui Santos realça como sectores ávidos de investimento os da saúde (material hospitalar e medicamentos), tecnologias da informação, marketing e publicidade, agricultura e pescas e formação. "Aqui há uma grande falta de professores de todas as áreas. Criar uma escola é ter alunos garantidos logo à partida", revelou.

Contudo, deixou um conselho: "Os portugueses que queiram investir aqui em Angola devem procurar apoio especializado e não virem com base em saudosismos e paternalismos, recorrendo a familiares e amigos", sustentou.

João Machado, 49 anos, angolano filho de portugueses e contabilista em Malange, admite ao JN que trabalhar naquele país "não é um mar de rosas". E esclarece: "Quem quiser trabalhar muito pode ter a certeza de que também vai ganhar muito. Agora, quem estiver habituado a trabalhar oito horinhas por dia e o resto é para descansar, pode estar certo de que aqui não vai ter futuro", deixou claro.

Essa mesma percepção do que é a vida laboral em terras angolanas tem António Pimentel, um engenheiro civil que, desde 2007, trocou Coimbra pelo Lobito, uma cidade da província de Benguela.

Na cidade do Mondego, explorava uma empresa familiar de administração de condomínios. Apesar dos negócios correrem bem, as perspectivas de desenvolvimento eram escassas. Em 2007, fez as malas, deixou para trás a mulher e dois filhos e foi exercer engenharia civil no Lobito. Hoje, dois anos depois, agora com a família ao seu lado, António Pimentel está a montar uma empresa de produtos médicos, já que a mulher está ligada ao sector da saúde.

"Angola é apelativa ao trabalho. Em Portugal, as pessoas têm a ideia de que isto é o Eldorado, mas desenganem-se. Há muita concorrência, principalmente dos chineses e brasileiros que para cá vêm, e é preciso trabalhar muito", frisou.

Vontade de partir

Sérgio Rodrigues, casado, 35 anos, residente em Coimbra, possui muita experiência na área da pintura e construção civil. Desempregado há um ano, tem tentado arranjar emprego em Angola, mas ainda nada conseguiu.

"Tenho um amigo que é pedreiro e ganha lá quatro mil euros por mês, quando aqui ganharia apenas uns mil euros", referiu. Vai continuar a tentar a sua sorte, pois "aqui em Portugal já não há mais condições de vida". Também Telmo Figueiredo, 34 anos, casado, funcionário judicial em Aveiro, procura um lugar em serviços sociais ou jurídicos ou recursos humanos em Angola. "Em Dezembro, ofereceram-me uma viagem para ir visitar um familiar em Cabinda. Não fui pelas dificuldades que Angola criou. Até queriam que eu levasse 200 dólares por cada dia de estadia!", revelou.




Comentário: PORTUGAL ESTÁ DE TANGA...

PORTUGAL ESTÁ NA TANGA ...

PORTUGAL ESTÁ UMA .... (adivinhem)

Só os sócretinos, é que acham que Portugal, é um país com muitas oportunidades para contornar a crise...Só os sócretinos inventam propagandas Freeport, acusando a oposição, para desviarem as atenções do povo para a crise.