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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Imagem do dia

 
 
 
"Confusão deliberada feita por organizações de países ocidentais para intimidar os africanos que pretendem constituir ativos e ter acesso à riqueza".
(José Eduardo dos Santos)


 


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

IPGUL e Ordem dos Arquitectos analisam situação urbanística de Luanda


O Instituto do Planeamento e Gestão Urbana de Luanda (IPGUL) e a Ordem dos Arquitectos de Angola (OA) analisaram dados técnicos ligados a situação urbanística e o exercício da arquitectura e urbanismo na capital do país. De acordo com o director-geral do IPGUL, Hélder da Conceição José, o encontro permitiu divulgar as realizações da instituição no domínio do ordenamento do território, sobretudo as executadas nos últimos cinco anos. “Hoje apresentamos a informação territorial que temos estado a organizar na perspectiva de organizar o território, que infelizmente apresenta problemas graves”, afirmou o arquitecto. Por seu turno, o presidente da Ordem dos Arquitectos, Victor Leonel Miguel, informou que o encontro permitiu tomar conhecimento das acções que a IPGUL tem estado a desenvolver em termos de planeamento urbano e gestão Urbana. “Nós a ordem dos arquitectos percebemos os critérios usados na aprovação de projectos, bem como o tempo que levam os processos para a sua anuência,” disse. O Instituto de Planeamento e Gestão Urbana de Luanda foi criado a 6 de Fevereiro de 2007 para responder às necessidades de regulação urbanística da província de Luanda, face aos problemas de sobrecarga demográfica e o caos urbano provocados pela ausência de instrumentos de planeamentos e gestão urbana. Parte do troço pólvora/Gamek com nova camada de asfalto Pelo menos 300 metros dos seis quilómetros do troço entre a antiga fábrica de pólvora (Cacuaco) e o bairro da Gamek (Viana) receberam a primeira camada da sub-base de asfalto e rede de drenagem, no quadro da reabilitação das vias secundárias e terciárias da capital do país. Em declarações hoje (sexta-feira) à Angop, o responsável da empreiteira Aglobal, Cláudio Mateus, informou que os trabalhos na via estão subdividido em três lotes e consistem na terraplenagem, criação de valas de drenagem, colocação de redes técnicas, lancis, asfaltamento, sinalização e iluminação pública. Após terminar, a via, de acordo com o responsável da construtora Aglobal, terá duas faixas de rodagem de 3,5 metros cada e um metro de bermas em cada sentido. O troço mereceu a visita recentemente do secretário de Estado da Construção, António Flor e de um grupo de técnicos do Instituto de Estradas de Angola (INEA), no quadro da constatação das obras rodoviárias em curso naquela circunscrição.

Um total de 23 trabalhadores, na sua maioria jovens locais, trabalham na recuperação do troço.

Fonte:Governo Provincial de Luanda

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Lobito, 100 anos sem nada

 

 
A cidade do Lobito está em plena comemoração dos seus cem anos, alguém já reparou? Mas é isso mesmo, se não se nota pelo menos o marco é este mesmo.
A cidade fecha-se por volta das vinte horas, nada de espectáculos.No fim-de-semana nada de festas de rua, nem teatro de rua, nem corridas de sacos, nem rali-papers, nada.Pelos vistos, o programa previsto está mesmo previsto (porque não se vê) apenas para ser executado pela administração, ou controlado, quando nestas coisas a actividade deve ser da comunidade.Não acredito que as associações de estudantes, culturais e recreativas estejam tão secas de imaginação.Nem concurso de melhor jardim há.Aí as casas ficariam mais bonitas.Há habitantes da cidade que nem suspeitam do centenário que se “vive”.
As exposições de arte, os saraus culturais, as sessões de poesia, a mostra fotográfica sobre a urbe, as actividades para as crianças das escolas, como sessões de contos infantis… onde está aquilo que mostra que uma cidade está a viver a festa dos seus cem anos?Que grande desperdício. Nem grandes outdoors, enfim…
Mas esta crónica não pretende desmoralizar quem queira visitar a cidade, haverá certamente espaço para as raves e maratonas.Há hotéis novos, as ruas estão limpas, continua a beber-se muito - o emprego falta.Como uma boa programação das festas poderia ocupar muita gente…As praias mantêm-se convidativas.Há encantos do Lobito que nem a inércia cultural (ou incompetência?) da administração consegue apagar.Quanto ao resto, tipo programação cultural e roteiros, arranje-se.
No entanto, escolha bem o seu hotel.Caros são todos, é normal em Angola.Os empresários angolanos da hotelaria resolveram que cada cliente traz diamantes nos bolsos e é um excelente alvo a assaltar. Aliás, acho que eles julgam que as pessoas se sentirão ofendidas se os preços forem pelo menos razoáveis.E agora então que têm de pagar a “consultores” aqueles preços….Um destes dias o negócio fale e o consultor vai embora com o seu pé-de-meia feito. O resto que vá para o desemprego.
O nosso empresário hoteleiro prefere ter a casa às moscas a fazer promoções que atraiam jovens estudantes, por exemplo.As férias, época baixa e época alta são coisas que não lhes dizem nada.No limite poderemos dizer que esta malta está a sabotar qualquer esforço para que os jovens viagem pelo país, para que descubram oportunidades noutras regiões e busquem fixar-se nelas.
Se os preços são altíssimos, já o serviço prestado, por favor, é absolutamente sofrível. No fim-de-semana passado estive num hotel do Lobito onde se alguém solicitar o serviço de quarto paga o alimento que pede e o serviço.Então, para uma tosta que custa oitocentos kwanzas (vejam o absurdo), se o empregado a for levar ao quarto a taxa é de dois mil kwanzas.
Neste mesmo hotel uma refeição feita de um prego no pão (um pão pequenino) e um galão vai aos três mil kwanzas.E não é que no balcão estavam umas baratas todas dengosas a passear a sua imundice?Calma, diz o empregado, isso é normal, qualquer hotel do mundo tem baratas e ratos, é por isso que temos aqui esta lata de insecticida.
 
José Kaliengue

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Estarão os angolanos a serem roubados pelas elites corruptas ?


Are Angolans being robbed by corrupt elite? por presstv

Acácia


O sítio da acácia
No lugar onde aprendi a dizer o teu nome
Abri um buraco fundo e plantei uma acácia,
Que cresceu até o infinito.
Vieram as aves em sucessivas primaveras
E fizeram ninhos quentes e macios
E criaram os filhotes,
Como se do alto daquela acácia florida
Fosse possível alcançar o céu.
Hoje, que o céu ficou plúmbeo,
Duma angústia com lágrimas de chuva
Nos olhos,
Já não me lembro que nome era o teu...
Sei apenas que a acácia está velha,
Como eu!

(Paulo César)

Luanda

 
 
 

Luanda


Nova Marginal de Luanda

                                                                  
 
Imagem Osbabacas


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Príncipe Perfeito



Na passada quinta-feira, dia 21, o partido no poder em Angola fez aprovar um novo projecto de constituição que prevê a eleição do Presidente da República pela Assembleia Nacional e não mais através do voto popular, em eleições directas, o que em princípio assegurará a permanência no poder de José Eduardo dos Santos. Os deputados da UNITA, o principal partido da oposição, abandonaram a sala antes da votação.
Várias vozes se ergueram em Angola e no exterior a contestar a futura constituição. Marcolino Moco apelou à idoneidade dos juízes do Tribunal Constitucional, esperançado ainda no chumbo de uma constituição que classificou como absurda, palavras duras, sobretudo se atendermos ao facto de terem sido proferidas por alguém que já foi secretário-geral do MPLA e primeiro- -ministro. Nelson Pestana, dirigente do Bloco Democrático, pequeno partido de esquerda, herdeiro da extinta Frente para a Democracia, anunciou o fim do Estado de Direito: "O Estado de Direito desaparece para dar lugar ao livre-arbítrio do Príncipe, em todas as suas declinações. Na melhor das hipóteses, teremos um Estado administrativo que vai reprimir a liberdade e promover a igualdade dos indivíduos perante o Príncipe, para que o possam melhor servir."

A eurodeputada portuguesa Ana Gomes, num comentário recolhido pelo diário "Público", sugere que José Eduardo Santos ficou numa posição difícil depois da vitória esmagadora - demasiado esmagadora - do MPLA. Por um lado, não gostaria de ter menos votos do que o seu partido. Por outro, se tivesse mais, no caso mais de 82%, dificilmente conseguiria ser levado a sério fora do país.

Devíamos, talvez, começar por aqui. O único motivo que poderia levar José Eduardo dos Santos a sujeitar-se ao escrutínio popular, e a todas as coisas mesquinhas e desagradáveis que, para alguém como ele, tal processo implica, incluindo discursos em comícios, banhos de multidão e entrevistas, seria conseguir o respeito da comunidade internacional. José Eduardo dos Santos está um pouco na situação do escritor brasileiro Paulo Coelho, o qual depois de conquistar milhões de leitores, depois de enriquecer, ambiciona agora ser levado a sério como escritor. Quer o respeito dos críticos.

A diferença é que José Eduardo dos Santos, não tendo o respeito da comunidade internacional, começa a beneficiar do temor desta - o que para um político pode ser algo bastante semelhante.

O crescimento económico de Angola, por pouco que seja, e ainda que afectado por distorções de todo o tipo, representa uma garantia de bons negócios para um vasto grupo de empresas multinacionais. A prosperidade de Angola é uma boa notícia também para os jovens quadros portugueses no desemprego. Favorece, aliás, todo o tipo de sectores. Lembro-me de ter lido há poucas semanas uma notícia segundo a qual dezasseis por cento dos produtos de luxo vendidos em Portugal são adquiridos por cidadãos angolanos.

Há uns dois anos almocei num simpático restaurante da Ilha de Luanda com um diplomata português. Antes de chegarmos à sobremesa já ele me dava conselhos: "Você só tem problemas porque fala de mais", assegurou-me. "Escreva os seus romances mas não ataque o regime. Não há necessidade." Depois disso tenho escutado conselhos semelhante vindos de editores, empresários e políticos portugueses.

"Já não posso ouvir o José Eduardo Agualusa e todos os outros portugueses e angolanos cá em Portugal que não se cansam de denunciar os desmandos e a corrupção do governo angolano", escreveu Miguel Esteves Cardoso numa extraordinária crónica, publicada nas páginas do jornal "Público" a 30 de Outubro de 2009, e depois reproduzida no "Jornal de Angola": "Angola é um país soberano; mais independente do que nós. [...] Os regimes políticos dos países mais nossos amigos são como os casamentos dos nossos maiores amigos: não se deve falar deles. [...] Não são só nossos amigos: são superiores a nós."

No meu último romance, "Barroco Tropical", esforcei-me por expor a forma como, em regimes totalitários, o medo vai pouco a pouco corrompendo as pessoas, mesmo as melhores. O medo é uma doença contagiosa capaz de destruir toda uma sociedade.

Mais extraordinário é perceber como um regime totalitário consegue exportar o medo. Não já o medo de ir para a cadeia, é claro; ou o medo de ser assassinado na via pública durante um suposto assalto. Trata-se agora do medo de perder um bom negócio. Do medo de ofender um cliente importante.

Ver dirigentes políticos portugueses, de vários quadrantes ideológicos, a defenderem certas posições do regime angolano com a veemência de jovens aspirantes ao Comité Central do MPLA seria apenas ridículo, não fosse trágico.

Alguns deles, curiosamente, são os mesmos que ainda há poucos anos iam fazer piqueniques a essa espécie de alegre Disneylândia edificada pela UNITA no Sudeste de Angola, a Jamba, vestidos à Coronel Tapioca, e que apareciam em toda a parte a anunciar Jonas Savimbi como o libertador de Angola.

José Eduardo dos Santos decidiu fazer-se eleger pelo parlamento, por mais cinco anos, por mais dez anos, troçando da democracia, por uma razão muito simples: porque pode. Porque já nem sequer precisa de fingir que acredita nas virtudes do sistema democrático. Enquanto Angola der dinheiro a ganhar, aos de fora e aos de dentro, e mais aos de fora que aos de dentro, como sempre aconteceu, ninguém o incomodará. Para isso, para que Angola continue a dar dinheiro, exige-se alguma estabilidade social, sim, mas não democracia. Democracia é um luxo.

Bem pode Ana Gomes manifestar a sua indignação. Mais facilmente os dirigentes do partido que representa a admoestarão a ela, por ter tomado tal posição, do que incomodarão os camaradas angolanos.

Aos angolanos resta a esperança de que o crescimento económico possa contribuir para a formação e o regresso de jovens quadros. Estes, juntamente com uma mão-cheia de jornalistas independentes, de activistas cívicos, de militantes de pequenos partidos, todos juntos, talvez consigam criar um amplo movimento social capaz, a médio prazo, de vencer o medo e de transformar Angola numa verdadeira democracia.

por José Eduardo Agualusa


Comentário: Eu vou seguir o conselho do diplomata.Vou-me calar.Vou ver, e engolir em seco, não vá os governantes cá da nossa Santa Terrinha começarem a perseguir todos aqueles que contestam e reprovam a vergonhosa BAJULAÇÃO ao Presidente angolano e ao seu MPLA, cujos os interesses económicos de alguns, são mais importantes que o direito à liberdade de expressão dos seus povos.Um dos direitos fundamentais na democracia - a liberdade de opção e de escolha, tal como fizeram com a lei do casamento homosexual  na Santa Terrinha, decidiram e impuseram ao povo a vontade deles.Seguiram o mesmo critério que o Príncipe Perfeito,  " discutiram " e aprovaram a lei de acordo com os seus interesses.Ao ponto que isto chegou.Temos que fazer como a maioria actualmente faz, bajular o príncipe perfeito, senão qualquer dia, inventam os cruzamentos de dados (Angola/PT), e todos aqueles que forem contra a bajulação ao príncipe perfeito e ao seu MPLA serão identificados/rotulados com o lápis de côr azul ou vermelha, ou serão perseguidos pela PIDE MODERNA, como era no tempo do Salazar.Pela boca morre o peixe.Até perdem a vergonha e os ideais da " liberdade de Abril  " para bajularem um ditador.



domingo, 10 de fevereiro de 2008

As "Obras de Arte" do Engenheiro José Sócrates

Já agora deixo aqui um link onde se podem ver algumas as obras de arte de José Sócrates:

http://static.publico.clix.pt/docs/politica/projectossocrates/index.html


Comentário: Com obras de arte deste nível, não admira que Portugal esteja mergulhado num pantanal de enigmas.

Um estudo efectuado por cientistas portugueses, que descodificaram o nome SOCRATES. Eis as conclusões do estudo:

S alazar
O utrora
C aiu;
R egressou
A gora
T ransformado
E m
S ocialista

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Ingrid Betancourt "Com Raiva no Coração"



«Chamo-me Ingrid Betancourt. Tenho 41 anos e sou senadora do meu país, a Colômbia.

Devo muito à França. Foi lá que fiz os meus estudos e este livro, escrito em francês, constitui para mim um modo de manter esta ligação, assim como é uma oportunidade para dar a conhecer a minha luta ao país que me ensinou o que é a democracia e o que é a liberdade.
Sabem como são poderosos, na Colômbia, os cartéis da droga, esta droga que mina a vida dos nossos jovens. Certamente que têm ouvido falar das matanças e dos escândalos políticos que eles causam. Mas, por trás destas organizações mafiosas, está o meu povo – um povo corajoso e orgulhoso que deseja libertar-se desta engrenagem infernal. É por ele que luto, há mais de dez anos.

É, porém, uma luta perigosa. Tenho dois filhos, que já foram ameaçados de morte. Tive de separar-me deles, para os proteger. E, já por duas vezes, a máfia colombiana tentou matar-me. Estou consciente dos perigos, mas estes não me farão recuar. É nisso que reside a minha esperança.»


Ingrid Betancourt (2002)

Ingrid Betancourt, nasceu em 1961, na Colômbia. É filha de um ex-embaixador da UNICEF e de uma ex-Miss Colômbia. Passou parte da juventude em Paris, onde fez os seus estudos (licenciou-se em Ciências Políticas). Foi casada com um diplomata francês, de quem teve dois filhos (actualmente está casada com um publicitário).

Desde criança, habituou-se a conviver com gente como Pablo Neruda e Gabriel García Márquez, amigos da família. E o empenhamento político surgiu com naturalidade: foi eleita deputada e depois senadora. Paladina da cruzada anticorrupção, foi também conquistada pela defesa do ambiente, tendo criado o Oxigénio, um pequeno partido ecologista.

Em 23 de Fevereiro de 2002, no decurso da sua campanha como candidata à presidência da Colômbia, foi raptada pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), a guerrilha de inspiração guevarista que há muitos anos se opõe a sucessivos governos do seu país. Ingrid Betancourt, é não só uma mulher de coragem, lutando contra a força tentacular do narcotráfico e contra a corrupção na política, mas também uma voz renovadora da esperança no triunfo da democracia na Colômbia.







Melanie, filha de Ingrid, numa manifestação em França, para pedir pela libertação da sua mãe












Nada como, passar algumas passagens do livro, que podem ajudar a compreender as razões pelas quais esta mulher representava e representa uma ameaça para qualquer poder instalado, em qualquer parte do planeta.Recomendo vivamente a leitura do seu livro "Com Raiva no Coração", pois através dele, aprenderemos a conhecer um pouco mais(muito), como funcionam internamente os sistemas partidários, os jogos pelo poder, as trapaças e atropelos, que muitos políticos usam em nome do povo ou de um país.Trapaças e atropelos, que não são visíveis aos olhos do "povo".Esta mulher teve a coragem de sózinha, lutar contra tudo e todos, com uma Raiva cega de demonstrar e provar, primeiramente ao seu povo e país, secundáriamente ao mundo, como a corrupção corrói os políticos, os partidos, os poderes governativos instalados,os media (imprensa escrita e falada), os grandes grupos empresariais, o sistema militar e judicial.



(...)Nessa altura acontece-me uma coisa absolutamente inesperada.Yamid Amat, a estrela da televisão colombiana, convida-me para o jornal da noite.Fico bastante assustada, pois sei que é uma oportunidade única e que, se não a aproveitar, serei votada ao esquecimento.Preparo-me para o pior, pois Yamid Amat tem fama de entrevistador implacável.
- Ninguém a conhece na Colômbia - começa ele por dizer.Diga-nos quem é e porque é que se candidata ao Parlamento.
- Quero lutar contra a corrupção.
Aí vejo-o reprimir ostensivamente uma gargalhada.
- Lutar contra a corrupção?Mas o que vai fazer contra a corrupção?
- Denunciar os corruptos no Parlamento.
- Ah, bom!Quer dizer então que conhece pessoas corruptas no Parlamento?
- Conheço muitas.E penso que você também conhece.
- Claro! - responde Amat secamente. - Mas eu não vou dizer o nome delas. Você é capaz de as denunciar?
- Sou.
E avanço com cinco nomes que me vêm à cabeça.Os cinco políticos que considero mais corruptos.
Amat fica atordoado.Faz uma pausa e, mudando bruscamente de tom:
- Esta história dos preservativos ... os Colombianos estão chocados...
Faço o meu discurso de camapanha, e a entrevista acaba. (...)

(...) São exactamente dezassete horas quando subo à tribuna.Para me demarcar radicalmente dessa assembleia de homens congestionados e furibundos, pus uma minissaia azul e vesti um casaco no mesmo tom, sobre uma simples T-shirt.Todas as câmaras de televisão estão apontadas para mim.Dispo então o casaco e surge, estampado na minha T-shirt, o elefante criado por Juan Carlos, com a seguinte frase em maiúsculas: « APENAS A VERDADE!».Está dado o tom, e pode ler-se a consternação assassina, mas impotente.(...)

(...) - Devem imaginar como me custa fazer acusações deste género.Porque custa muito carregar sozinho a verdade nesta farsa que vos é apresentada como um julgamento.Dentro de poucas horas, estes deputados que as câmaras vos mostram um tanto atarantados vão inocentar o presidente.E porque vão eles inocentá-lo ? Porque, salvando-o, salvar-se-ão a si próprios.Vejam este senhor, por exemplo, sentado à minha frente...Tenho aqui um recibo assinado pelo seu punho.Este senhor recebeu uma quantidade de milhões de pesos...Digo-vos claramente: se este senhor resolvesse condenar o chefe do Estado, não sei se amanhã estaria vivo...Nós os Colombianos, somos espectadores impotentes de um jogo cujo resultado já está decidido.Hoje, o nosso país está no fundo do abismo, na agonia, e contudo sei que virá o dia da nossa aspiração à felicidade vencerá a atracção vertiginosa que há tanto tempo sentimos pela morte.Estou confiante.
Sucede então uma coisa curiosa, insólita num recinto colombiano: o silêncio prolonga-se enquanto regresso ao meu lugar, um silêncio impressionante, como se estes homens, tão prontos à violência, estivessem provisóriamente aniquilados. (...)

Podem ler mais, sobre esta grande mulher, em : http://www.linux24info.info/kraj-es-show-Ingrid_Betancourt

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Libermédia apresenta guia turístico das praias de Luanda



Fonte: Jornal de Angola (Jornal ao serviço do poder instalado)


Gabriel Bunga

A Libermédia Produções (empresa de serviços de imagem, catálogos, brochuras e fotografias) apresentou ontem à imprensa, em Luanda, um guia turístico das praias da cidade, no âmbito das comemorações dos 434 anos da capital.
A revista visa oferecer informação diversificada sobre centros turísticos de Luanda a turistas nacionais e estrangeiros.O guia das praias inclui, entre outras atracções, uma completa descrição e localização das praias, restaurantes, alojamentos e locais de interesse turístico, numa extensão de 150 quilómetros, começando por Cabo Ledo e Caxito, passando pelo Mussulo e pela Ilha do Cabo.
De acordo com a directora da empresa, Ossanda Líber, que falava em conferência de imprensa ontem no Hotel Continental, a presente edição da revista “Luanda Coast 2008” será de grande utilidade a todos aqueles que precisam de explorar as belíssimas praias de Luanda.
Para além da “Luanda Coast 2008”, está no pacote de projectos da LiberMédia mais um Website de lugares turísticos da capital do país e mais um guia que se ocupará de informações sobre museus, igrejas, hotéis e outros espaços públicos que podem estar à disposição dos turistas.
De publicação anual, a revista tem oitenta páginas e custa mil e 200 Kwanzas.



Comentário:Gostaria imenso de acreditar, que os conteúdos informativos que este guia turístico se propõe, tivessem aplicação na realidade, no terreno.Isto é, que Angola tivesse na realidade todas as infra-estruturas necessárias capazes de oferecerem ao " turista e ao turismo" e acima de tudo, conseguissem assegurar uma simbiose entre o preço/qualidade dos serviços prestados.

Esta notícia, veio mesmo a calhar.No passado fim de semana, realizou-se em Lisboa a Feira Turimo de Lisboa (BTL), que tive a oportunidade de visitar.As ofertas eram muitas e variadas.Para todos os gostos e carteiras.Sabendo antecipadamente que os países que integram os PALOP iriam estar presentes, com as suas ofertas.Era normal que estivesse curiosa para conhecer as ofertas de Angola.Pelas razões sobejamente conhecidas, uma delas, que é o país de África com maior índice de desenvolvimento.E também, porque tenho consciência que Angola tem enormes potencialidades para desenvolver e apresentar uma oferta de turismo ao nível dos melhores do mundo.

Qual não foi o meu espanto, ao chegar ao Stand de Angola, constato que o mesmo era igualzinho ao do ano passado, não apresentava novidades, nem mesmo em termos do design visual.Como sabem, é pela visão que o estômago tem o primeiro impacto da gula.O pessoal de apoio ao Stand, tal como acontece todos os anos, encontrava-se em amena cavaqueira uns com os outros, enquanto os potenciais interessados pelas ofertas, passavam desinteressadamente pelo stand.Comentei este pequeno promenor, com as pessoas que acompanhavam-me.Ainda mais estranho, tornou-se esta forma de estar, quando "Angola" está na moda, em Portugal.

Promenores à parte, vamos ao que interessa.

Nos eventos desta natureza, o pessoal que os frequenta, procura recolher as tais "brochuras, catálogos, imagens, promoções, etc," informativas sobre os países e respectivas ofertas.No stand de Angola este tipo de informação era escasso, direi mesmo inexesistente.Frustada e desapontada, recolhi o que havia disponível.No recanto do meu sossego, começo analisar as tão famosas brochuras e catálogos.A minha frustação no lugar de diminuir, aumenta ainda mais.E passo a citar as razões para o aumento da minha frustação .

Não consegui nenhuma brochura.Consegui um ÚNICO catálogo de uma agência de viagens " Expresso - Viagens e Turismo, S.A." sem apresentar nenhum cuidado na apresentação atractiva e aliciamento visual.O catálogo deve ter sido feito, no ano de mil e novecentos e troca o passo.Esta agência, segundo informação inclusa, diz operar em Angola desde 1966.Ao abrir o cátalogo, o meu espanto atingiu os limites do paranormal, o folheto dizia respeito a uma oferta na "TANZÂNIA" mais própriamente em Saadani no "National Park", completamente escrito em inglês, sem tradução para outras línguas.Impensável.Mas real.Fiz a respectiva pesquiza na internet, através do endereço constante no catálogo, e o paranormal aumentou.Só abria a págima inicial, onde constam os contactos.Podem comprovar através do endereço :

(clicar nas imagens para aumentar)

Petreficada, passei ao folhete seguinte, constante no interior da capa do catálogo.Um simples papelzinho de 20cm X 10 cm referente a outra Agência de Viagens e Turimo denominada por "MÃE MENA" em que as ofertas referentes a Angola são:Pedidos de vistos, Emissão de passaportes, Check-In/Out de passageiros, Serviços de Renta a Car, Reservas em Hóteis, Certificados de Vacinas, Bilhetes de Passagem(Nacional e Internacional) Marcação de Audiências e Entrevistas ( em instituições públicas e privadas).A única oferta que esta agência oferece em termos de viagens meramente turísticas, são destinadas à África do Sul, diz a agência que oferecem excelentes condições de estadia e saberão servir.A pesquiza através da internet, relativamente a esta agência não é possível, uma vez que não possui endereço.Uma agência direccionada para ao tratamento de documentação, e quase nada tem para oferecer turísticamente.Um favor pessoal, prestado a alguém com interesses na agência em Angola.

Repito tudo isto, num simples papelzinho de 20cm X 10 cm.(Conforme pode comprovar através da foto).


Foto 2



Continuei a minha aventura em busca das ofertas turísticas em Angola.E a próxima aventura, diz respeito a um desdobrável de fraca qualidade, e com imagens referente ao " Aldeamento Turístico Pasárgada" que fica a 64km de Luanda na província do Bengo.Inclui todos os contactos, incluindo endereço electrónico (e-mail), mas o acesso via internet, tal como todos os outros não é possível.


Foto 3





Perante estes factos, é de saudar a criação de guias turísticos em Angola.Mas apetece-me revoltadamente, dizer aos criadores desta ideia, que não basta apresentar como ofertas, as lindas praias de Angola, principalmente aquelas que ficam a mais de 50 km de Luanda, Hotéis e aluguer de automóveis, cujo os preços praticados são dos mais elevados do mundo.Cujo o sistema de transportes urbanos não funcionam devidamente, em que a oferta e a qualidade do transporte público, assemelha-se a uma capoeira.Onde a alternativa colocada ao "turista" para poder visitar a cidade, é no famoso candongueiro, muito típico e turístico.Em termos de oferta, ao nível da restauração, os serviços prestados pela maioria dos restaurantes colocados à beira da estrada e das praias, não reunem as mínimas condições de higiene , são autênticos atentados à saúde pública.Por outro lado, o número de camas disponíveis para a prática de um turismo económico e atractivo, simplesmente não existe.Não seria preferível, criarem primeiro as infra-estruturas necessárias, do que meterem-se na "Aventura" de oferecerem aos potenciais turistas uma oferta, tipo "Gato por Lebre".Não estão a tentar colocar a carroça à frente dos bois, contribuindo ainda mais para a descrebilização futura do turismo.Não haverá aqui, uma pontinha de aproveitamento e oportunismo.

Sejamos realistas, o turismo que um turista pode pensar encontrar actualmente em Angola, é um turismo semelhante ao das imagens propostas no Folheto Informativo (foto 4).Um turista não consegue, desfrutar dos prazeres oferecidos pelo MiamiBeach ou das lindas praias da ilha de Luanda, sem ter que desfrutar das lindas paisagens degradantes, oferecidas pelos pobres coitados que rodeiam e invadem as restantes praias ao longo da orla da ilha.A não ser, que reservem para o Turista uma viatura tipo Jeep Hummer de vidros fumados.
A mudança urgente dos símbolos da bandeira, uma das maiores imagens de marketing que um país pode ter.O símbolo da catana na bandeira, pode representar um elemento dissuasor para os potenciais turistas.É um símbolo dissonante.Substituam a catana pela "Palanca Negra".

Foto 4


Foram provávelmente este tipo de ofertas turísticas (foto 4) que condicionaram, a falta de empenho por parte dos responsáveis pelo turismo em Angola na BTL, e justificaram a sua postura desinteressada.

O turismo actualmente, é um grande sector gerador de riqueza, como tal não pode ser gerido por pessoas, que não possuem uma formação altamente qualificada.O turismo, deixou de ser um sector destinado à carolice de alguns.O turista é cada vez mais exigente, na escolha dos seus destinos.O turismo não é só praia.O turismo é muito mais abrangente.A relação oferta/preço/qualidade é muito competitiva.Não serão certamente as praias de Luanda que vão seduzir o mercado turístico.O Brasil comparativamente com Angola, tem a mesma qualidade ao nível das praias, com empreendimentos turísticos com qualidade e preços muito mais atractivos.

Como complemento do Folheto Informativo Turístico de Angola - Luanda sugiro a visualização dos vídeos colocados no seguinte endereço

http://angola-africa.zip.net/
http://carlacarinhas.sites.uol.com.br/angola/video_luanda.html