segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

"CONGRESSO DO CORTE"


Começou hoje em Luanda o VI Congresso do MPLA que vai marcar, supostamente e de acordo com a versão oficial, um "corte" com o passado na organização do partido ao abrir a porta para a existência de listas concorrentes aos órgãos de direcção do maior partido angolano.

No seio dos militantes e dirigentes do MPLA já é comum a designação deste conclave como "o congresso do corte", porque, com a alteração já confirmada dos seus estatutos, no futuro e em teoria vão ser possíveis listas distintas a disputar os diversos patamares de direcção.

Este é, como confirmou à Lusa o porta voz do MPLA, Norberto dos Santos "Kwata Kanawa", o último congresso em que é a sua direcção a apresentar as listas para os órgãos do partido, como, por exemplo, o comité central.

Entretanto, o presidente do MPLA, partido no poder em Angola desde 1975, José Eduardo dos Santos, realçou hoje o sistema de reorganização do partido, que permitiu a transferência dos comités de locais de trabalho para os de residência.

Discursando na cerimónia de abertura do VI Congresso, José Eduardo dos Santos condenou a prática do tribalismo e racismo, enquanto elementos que minam a coesão e unidade da Nação, tendo, por isso, defendido a necessidade de serem combatidos.

Depois de 34 anos de independência e sempre sob o domínio da mesma força, o MPLA, eis que Angola quer, ou simula querer, apresentar-se como um Estado de Direito.

Eduardo dos Santos, igualmente presidente da República e um dos homens mais ricos do país, realçou também a participação no conclave de membros das várias esferas que representam as maís diversas especialidades e sectores, o que testemunha a unidade do partido.

Na sua intervenção, Eduardo dos Santos destacou ainda o sistema que promoveu a Organização, promoção e direcção a partir das zonas de residência, o que garante um partido de massas, aberto e democrático.

Realçou ainda a necessidade de os seus militantes respeitarem os estatutos e regulamentos do partido, baseados na necessidade da construção de uma sociedade democrática, de justiça e segurança social, objectivos definidos por estes dois documentos orientadores da acção do MPLA.

O mundo poderá estar de olhos postos neste congresso, já os angolanos não estão. Poucos são os que acreditam.



 

 

2 comentários:

Anónimo disse...

De facto o tribalismo e o racismo não contribuem para o desenvolvimento, mas o que torna engraçado não são as palavras proferidas mas sim quem as profer. Porque basta observarmos para pais e logo está o exemplo do que se repreende.Assim se levante algumas questões:
1-O desenvolvimento do pais, está de igual modo?Comparemos onde nasceu com o leste, as estradas do leste estão asfaltadas?
2-Será que existe angolano da Iª e da IIª?...
Segundo o Roberto Cool:As crianças são testemunhas atentas da moralidade dos adultos.

ÁfricaMinha disse...

As mudanças, foram para pior.Só as consideram melhores, aqueles que continuam à "mama" e fecham os olhos às carências do povo no interior do país (angolano de 2ª).É só hipocrísia.

Obrigada, pelo desabafo participativo

Tamos juntos !