segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Vitrine : Júlio de Magalhães " Os Retornados – Um Amor Nunca se Esquece’


Júlio Magalhães é jornalista da TVI e responsável pela delegação da estação no Porto. Nasceu em 1963. Foi ainda bebé, com 17 meses, para Luanda. Depois a família rumou a Sá da Bandeira, actual Lubango. Júlio era rapazinho de 13 anos, assíduo espectador do cinema ‘Arco-Íris’, quando regressou ao que chamava ‘a metrópole’. O Porto era uma cidade fria e conservadora. Aos 16 anos já trabalhava nos jornais.




PRÉ-PUBLICAÇÃO DE 'OS RETORNADOS': O LIVRO DE JÚLIO MAGALHÃES

PRÓLOGO

“Nasci em 1963. Nesse ano, em Dezembro o meu pai resolveu dar um novo rumo à nossa família: partirmos para Angola onde já estavam alguns familiares nossos. Técnico de contas, na altura designado como ‘guarda-livros’, respondeu afirmativamente aos desafios que lhe eram lançados de Angola pelos meus tios e rumou para África. Com emprego garantido na empresa ‘Cafés Moura’, em Luanda, alugou uma casa no bairro da CUCA, na altura, uma das poucas casas existentes numa zona onde estava localizada a fábrica da conhecida cerveja angolana. O meu pai foi à frente, em Dezembro desse ano. Eu cheguei um mês depois nos braços da minha mãe. O meu irmão e a minha irmã só em Abril deixaram o Porto, onde morávamos, para se juntarem a nós.Durou apenas um ano a nossa estadia em Luanda. Diz a minha mãe que o meu pai era tratado pelas pessoas ali daquela zona como o ‘Juca da Cuca’. Em 1964, estávamos a fazer nova viagem e a cumprir novo destino. Um tio disse ao meu pai que uma empresa de Sá da Bandeira, hoje Lubango, designada por ‘Urbano Tavares de Sousa’ estava a precisar de um ‘guarda-livros’. Partimos.Nesse ano de 64 passámos a residir em Sá da Bandeira onde nos mantivemos até 1975. Quando a editora A Esfera dos Livros me lançou um desafio de escrever um livro sobre uma época ou figura da História de Portugal, de imediato, ocorreu-me escrever algo sobre África, mais precisamente, Angola. (...) Este é apenas um livro, romanceado, que parte de alguns factos e testemunhos verídicos. (...)Recordo a minha professora Catarina, que me ofereceu umas boas reguadas. Como gostaria de revê-la... Os caminhos para casa, ora pela rua do cinema Arco-Íris, ora pela Missão, até à rotunda da Mitcha onde morava. Os jogos aos domingos do FC Lubango, clube do qual o meu pai foi presidente, as boas lagostas da Royal, um bar-restaurante mesmo em frente ao Rádio Clube da Huíla, os passeios ao domingo no picadeiro, desde a Florida até à Praça da Câmara, e da Igreja, da Senhora do Monte, das quedas de água da Ungéria, do Cristo Rei ou da paisagem esmagadora da Tundavala, onde um eco parecia chegar ao fim do mundo, ou das nossas incursões de bicicleta e a pé pelo rio das Pedras. Os nossos dias na Chíbia, onde o meu pai tinha uma fazenda.


”PRIMEIRO CAPÍTULO“

Pela frente um longo corredor com filas de três lugares de cada lado, repletas. Joana nem sequer conseguia olhar para os passageiros que enchiam aquele Jumbo 747. Firme, de olhar pregado no fundo do corredor, esperou que a voz do comandante a salvasse daquele prolongado silêncio:‘Bem-vindos ao voo 233 da TAP. A nossa viagem com destino a Lisboa tem uma duração de 7 horas e 35 minutos. O tempo previsto em rota é bom. Peço a vossa atenção para as instruções de segurança que a seguir apresentamos.’O comandante Afonso Rosa sabia que não podia alongar-se muito mais, nem sequer deixar transparecer um sorriso. Dizer a todos aqueles passageiros ‘Bem-vindos ao voo 233 da TAP’ já era demasiado doloroso. Ninguém naquele avião desejava fazer aquela viagem.” (...)

Ler mais em : http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=278974&p=22&idselect=19&idCanal=19

3 comentários:

FATIMA disse...

JÚLIO DE MAGALHÃES: COMPREI O SEU LIVRO E LI-O NUMA TARDE ESCALDANTE DE VERÃO/2009. FIQUEI FASCINADA COM TODO O CONTEÚDO, MAS QUE COINCIDÊNCIA! ATÉ MOREI NO MESMO BAIRRO DA CUCA! QUE SAUDADE!
FÁTIMA SOARES

cazimar disse...

Olá Maria de Fátima

Obrigada pela visita.

Na verdade é um excelente livro.Principalmente para todos aqueles que viveram esse drama.

Se desejar partilhar as suas vivências com outras pessoas que passaram pelo drama, visite o

http://kandando-angola.forum-livre.com/

Será um prazer recebê-la

Tudo de bom !

Beijocas e kandandos

Mário Aguiar disse...

Caro e admirável Grande Jornalista Júlio Magalhães, o livro "Os Retornados-Um Amor Nunca Se Esquece", foi-me oferecido!
Li vagarosamente e à medida que lia, imaginava-me no mesmo voo...
Não, não vinha lá, mas comovi-me com toda a descrição.
Eu ainda fiquei em Angola de onde regressei em 1979.
Encontrava-me em Cabinda nessa altura.
Fui para Angola em 1964, no Navio Uige.
Passei a minha tropa, Recruta no RISB (RI22), Sá da Bandeira, depois fui para RI21-Regimento Infantaria em Nova Lisboa, onde tirei a especialidade e dali segui para Norte de Angola. Nambuangongo,Santa Eulália, Quibaxe e Pango Aluquem.
Passei à disponibilidade em 1 de Setembro de 1969. Dia 15 desse mesmo mês entrei para a PSPA, na 7ª.Esquadra-Luanda.
É um grande prazer falar com pessoas que andaram naquelas terras.
Vejo os seus programas televisivos sempre que posso.
Resido em Mafra e sou adepto do FCP. Não tenho a certeza, mas penso que o Júlio também é.
Quero deixar-lhe aqui um grande abraço e desejo-lhe todos os sucessos da vida. Gostaria um dia de lhe dar um abraço.
Muito obrigado.
Mário Aguiar
paisdeaguiar113@gmail.com