sábado, 19 de Abril de 2008

Mulher encontrada morta na praia de Cabo Lombo

Fonte: Jornal de Angola

André da Costa

A Polícia Nacional encontrou o corpo já sem vida e com indícios de estrangulamento da cidadã Janeth Correia, de 30 anos. A vítima, que residia no município da Samba, em Luanda, ausentou-se da casa no domingo, dia 13, com o propósito de comprar pão, nas imediações do bairro, e nunca mais regressou a casa. A família, face à ausência prolongada, acabou por alertar as autoridades policiais e comunicar o seu desaparecimento.

Janeth Correia começou a ser procurada pela polícia e por familiares, mas sem êxito. A família começou a recear o pior, quando a sua viatura, uma todo-o-terreno de marca Toyota, modelo Rav 4, foi encontrada nas redondezas do Lar do Patriota, mas sem apresentar sinais de arrombamento ou de ter havido roubo. Os familiares, preocupados com a situação, apresentaram queixa ao Comando da Quarta Divisão de Polícia Nacional.

Na quinta-feira passada, o corpo de Janeth Correia foi encontrado por pescadores, ao final da tarde, na praia do Cabo Lombo, município da Samba, em avançada estado de decomposição.

A Polícia Nacional, segundo Divaldo Martins, director de Operações do Comando Provincial de Luanda da Policia Nacional, removeu o corpo e, com ajuda de familiares, foi possível confirmar a sua identificação.
A causa da morte, segundo Divaldo Martins, é determinada após o exame médico-legal. As autoridades pretendem saber se Janeth Correia morreu afogada ou se foi atirada ao mar, depois de morta.

A Policia Nacional, segundo o oficial superior da corporação, está a trabalhar no sentido de apurar se a morte de Janeth Correia foi acidental ou crime e em caso de a autópsia e os exames revelarem que houve acção criminosa, para capturar os culpados pelo crime. Divaldo Martins lançou um apelo aos munícipes de Luanda que eventualmente tenham informações sobre os últimos momentos de vida de Janeth Correia, para que transmitam essas informações à polícia.




Comentário:Esta notícia está confusa.Não é de admirar.Em Angola tudo é confuso.No seu ínicio, diz que foi encontrado o corpo já sem vida e com indícios de estrangulamento, no final as possíveis causas, apontam para, se a vítima morreu afogada ou se foi atirada ao mar, depois de morta.

Se apresenta sinais de estrangulamento, é óbvio que existiu interverência de terceiros.Aponta para a existência de criminosos, consequentemente um crime.

O mais espectacular, é que a vítima segundo a notícia vivia na Samba.E foi precisamente perto do local onde vivia, que surge o corpo (na praia do Cabo Lombo, município da Samba), na companhia do seu Toyota Rav 4, que não é um objecto minúsculo, e de difícil detecção.Não apresentando sinais de roubo.Sabendo de antemão, que o principal sustento das familias e jovens carenciados, o seu emprego é o " roubo ", fica estranho e pouco plausível estarem a tentar culpar os grupos e bandos de jovens criminosos ( ler o editorial do Jornal de Angola).O editorial do Jornal de Angola, tenta misturar os assaltos à catanada, e outros que diáriamente acontecem nas lindas ruas e avenidas dos musseques e bairros onde vivem as classes médias e alta da cidade de Luanda, com esta morte na Samba.Parece-me que o dito Jornal, mais uma vez está a tentar deitar areia para os olhos de todos os seus leitores, com segundas intenções.Uma das intenções é capaz de ser, culpabilizar os bandos com o objectivo de tranquilizar as chancelarias e comunidades internacionais.

Leia-se alguns dos apontamentos retirados do dito Editorial do Jornal de Angola( na sua tentativa de colar esta morte com outros crimes).O Editorial, como sempre é anónimo.

Título:Firmeza no combate às acções criminosas


Saltou para os principais espaços dos noticiários dos media o crime que vitimou Janeth Correia. As circunstâncias da sua morte, que a Polícia procura esclarecer, deixaram a sociedade chocada.

(...) "A morte de Janeth Correia acontece num momento em que, de modo inusitado, várias acções criminosas foram desencadeadas na cidade de Luanda, como que a sugerirem uma acção concertada. Estamos a falar da notícia do assalto à catana que, a semana passada, um automobilista sofreu no percurso aeroporto de Luanda-Rocha Pinto, tendo os protagonistas da acção criminosa retirado à vítima o telemóvel e o rádio da viatura. Na mesma via, outras acções do género também foram registadas. Terça-feira, a Polícia Nacional surpreendeu na zona do Eixo Viário cinco jovens marginais a praticarem assaltos à mão armada em viaturas, numa altura em que o trânsito se encontrava congestionado(...)"

Segue-se a mãozinha com punho político da filosofia do poder, para condenar os " grupos anti-sociais", sem os factos apurados

(...) "Numa altura em que os desafios mais difíceis foram suplantados – o país está em paz há já seis anos, foi possível dar à economia o sopro de recuperação que precisava -, todas as condutas desviantes e que ponham em causa o objectivo de oferecer a todos os cidadãos condições mínimas de vida devem ser fortemente combatidas.
Com efeito, não faz sentido que havendo várias formas de ganhar a vida de forma digna – e há muito por onde escolher em termos de opções de realização pessoal -, um grupo de anti-sociais esteja empenhado em semear a desordem, em vez de juntar as suas forças aos esforços de reconstrução do país.(...) "

Continuando o blá blá político e demagógico

(...)" Não deve haver qualquer dúvida ou equívoco no combate ao crime.
Longe de cruzarmos os braços, de dar espaço sequer a que uma ponta de vandalismo se levante, o momento é de renovar a confiança nas autoridades e, em particular...(...)"


Relativamente à questão, " não faz sentido que havendo várias formas de ganhar a vida de forma digna – e há muito por onde escolher em termos de opções de realização pessoal", eu tenho uma sugestão a fazer ao anónimo que escreveu esta treta.

A sugestão vai no sentido, de ele trocar o seu ganha pão ao serviço do poder e do MPLA (que deve ser chorudo e recheado de garantias), trocar o bem estar do seu lar e bens, com um dos anti-sociais, talvez assim, ele compreenda e aprenda melhor o que é, na verdade pertencer à elite da pobreza extrema dos pobres.

Sempre ouvi dizer, até prova em contrário, são todos inocentes.

Voltemos ao caso da vítima.

Não estou na posse de todos os dados.Limitando-me aos apresentados pela notícia, esta morte, aponta para um crime contratado por alguém, cuja a vítima representava um incomódo, ou ainda um ajustes de contas.

Por outro lado, ao contrário do que acontece, na maioria das notícias vindas de Angola, neste caso particular, não foi divulgado a nacionalidade da vítima, o que é um dado muito importante, para a possibilidade de analisar outra visão.Porque será que a nacionalidade da vítima foi ocultada, nesta notícia retirada do Jornal de Angola (Jornal oficial do governo e MPLA)?

Mais um caso, para o detective Jaime Bunda resolver...

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